março 24, 2008

hoje estreei-me em fotografia

a Humana tem andado engripada e sem paciência para nos fotografar. passa a vida a beber cházinhos quentes, com limão e mel ou, então, sentada no seu cadeirão, a ler policiais.

pedi-lhe a câmara emprestada e algumas instruções acerca do seu funcionamento e resolvi começar por fotografar os meus filhotes. sei que as fotos poderiam ter ficado melhor mas, baixinha como eu sou, em comparação com a Humana, só os consigo fotografar estando mesmo ao nível deles, pois não me atrevo a tentar puxar a câmara por aquela alça que ela tem e levá-la para cima de um móvel. já viram a tragédia que era, se eu a deixasse cair? no máximo, disse a Humana, podes por-te em cima de uma cadeira! assim fiz.

bem, vejamos os primeiros resultados:





este é um dos meus filhotes, o artur. agora reparo como ele cresceu e se transformou num vivaço gatarrão. um vândalo, é o que ele é, diz a Humana. sempre pronto a arreliar o cachorro lost e a desencaminhar o irmão para patifarias. se não tivesse ficado connosco, a esta hora já teria enveredado pelos caminhos da delinquência, diz ela. que exagero! pode ser brincalhão, mas não conheço bicho mais meigo do que ele.




este é o lancelot, irmão do artur. tem, como ele, um ano de idade e ainda não perdeu o ar de bebé. é muito dependente do irmão, segue-o para todo o lado e imita tudo o que ele faz. a princípio, por brincadeira, a Humana até lhes chamava "dupont & dupond"...


o cachorro lost não gostou da ideia de ser fotografado por mim, assim tão de perto. tive de ser rápida e de me afastar, mal acabei de fazer a foto, não fosse ele dar-me uma mordidela. eheheh mas valeu a pena, correr o risco. já viram o ar de anormal com que ele ficou? esta, vai dar para eu me rir, durante muito tempo...





e, por fim, a Humana permitiu que eu a fotografasse. assentei a câmara em cima das costas do cadeirão, carreguei no botão respectivo, e aqui está ela, enfezada e de olhos baços e congestionados. afinal, não há tez minhota que consiga resistir aos efeitos de uma gripe a sério! mas nós gostamos muito da nossa Humana, mesmo em dias assim.



o artur pediu-me que eu dedicasse as fotos dele à sua querida tia lili, a humana que vive com a nossa colaboradora OIN . só porque ela lhe acha muita graça e tem, por ele, um especial afecto.

março 19, 2008

nesta manhã chuvosa, partilho convosco um texto de Hélia Correia



Há sujeições que posso tornar públicas e essas são os gatos e a escrita. Devo dizer que reconheço nas duas entidades semelhanças.
Talvez os gatos e a escrita tenham vindo do mesmo ovo que um deus fertilizou. Instalaram um trono vitalício dentro da minha vida desde cedo. Incorporei-os tão intensamente que nem sei onde acabo e eles começam. Há uma simbiose que pertence à mais baixa biologia. Mas a palavra simbiose é mal escolhida. Eles viveriam muito bem sem mim. Eu, sem eles, é que não. E sabem isso. Sabem perfeitamente que dominam.
Comportam-se ambos com igual sobranceria. Vêm se querem, quando querem, para que os sirva, mas se sou eu a convocá-los, não me ligam. Se entendem que lhes devo abrir a porta, chamam às horas mais desconfortáveis. Lá me levanto, às quatro da manhã, ou para escrever ou para deitar whiskas no prato. A retribuição é coisa pouca: um roçar pelas pernas, uma frase. E eu, ciente da minha condição, renunciando à dignidade humana, agradeço a bondade do incómodo.
Estou sempre preparada para o encontro: na mochila carrego com comida para felinos... e um caderno. Se me aparece um gato, faço a vénia, mio delicadamente e dou o almoço. Se me aparece a frase, paro e escrevo.
Sempre de momentos breves, porém intensos e definitivos. Passa-se nisto o tempo de calor. Pelos começos do Outono, surgem hóspedes dispostos a estadia prolongada: o gato fica de pensão completa, passa os meses do frio e vai-se embora. A escrita permanece em casa pelo mesmo período. Os meus gatos de Inverno adoram chuva. A minha escrita só consegue organizar-se em texto quando chove. De Março até Outubro, o que reúno das raras frases que consentem aparecer resulta em pequenos contos. Mas enquanto andam nuvens negras pelo céu, a corrente entre a escrita e os meus dedos alcança nível proporcional à pluviosidade da estação.
Com a subida geral das temperaturas e a saarização deste país, é de fazer ideia que decorrem os dias e os meses e os anos sem que essa energia das palavras que me caem do céu “como farrapos” possa gerar um livro que se veja. Bem procuro imitar um clima nórdico, espalhando em roda certos objectos, tais como o pau-de-chuva do Peru, o quadrinho de areia branca e negra que vai caindo com a gravidade, criando a ilusão de um temporal, uma canção dos LadySmith, Mambazo, Rain, Beautiful Rain, que o Changuito me trouxe, uma caixa de música com o Singing in the Rain… Formam como que um templo de oferendas e é dentro dele que me escondo, à espera.
Porque escrevo frase a frase, hoje uma, outra não sei quando virá, inseridas num esquema musical que determina a sequência. Não é maneira de fazer romances, mas quem sou eu para dizer à escrita que devia tentar ter disciplina?
Estou feliz porque a gatinha que me apareceu este Inverno não tenciona emancipar-se tão depressa. De chuva, pouco vejo. Mas talvez a escrita aceite aqui morar por algum tempo, como esta extraordinária Emily Duncan. É gatinha com nome de escritora – Emily Brontë – e de Isadora, inspiração eterna. Desde que ela apareceu começamos as manhãs a dançar. Se pela noite, surgir uma pequena, amável frase, talvez que finalmente nasça um livro.


texto e imagem arrastados daqui
música na barra lateral: a day without rain- enya

março 18, 2008

dias de luto, neste jardim


ontem, o mimir deixou-nos, vítima de doença que, discretamente, o foi minando.

há luto, neste jardim e no coração da Humana, que tanto se enternecia com esse gato discreto, sempre pronto a distribuir meiguices por aqueles que o rodeavam, fossem eles pessoas, felinos ou, mesmo, o cachorro lost, que consideramos membro desta família.
doce mimir, é assim que te havemos de recordar: um bichinho confiante e tranquilo que brincava com as plantas, que era um protector atento dos mais pequeninos e dormitava, feliz, ao sol morno da tarde.

lentamente, o tempo há-de secar as lágrimas e fazer passar a dor da tua perda. mas continuaremos, sempre, a gostar muito de ti.

março 13, 2008

mignonne...


... sensual e misteriosa


a Humana disse que o título e "legenda" que escolhi para as minha fotos são, no mínimo, pretensiosos. pois eu não acho que o sejam. uns amigos da Humana passam a vida a dizer que eu pareço uma daquelas belíssimas actrizes do cinema mudo. deve ser por causa da minha personalidade tão vincada, a par da minha fotogenia. e todas as pessoas que me vão conhecendo, não se cansam de me tecer elogios.


aliás, quando ela me deu o meu nome, eu só o aceitei porque sabia o que significava: idun, deusa nórdica de rara beleza. não vos parece que me assenta "como uma luva"?

março 09, 2008

bbbb(r)uuuuuú....






...nilde.



(a minha irmã brunilde, no seu melhor)

março 07, 2008

a gata-violino


só eu
só música
o sol acorda
no meu pelo
suaves miados de
gatinhos distantes
a minha perna
é um violino
só meu

ouves?
ino ino ino

poema da autoria de OÍN 

Arquivo de jardinagem

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