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janeiro 03, 2010

feliz ano novo


acabam, hoje, as férias da Humana. de vez em quando, a chuva cai, lá fora, com um som forte, mas não acorda o artur, a brunilde, a mimosa ou o lancelote, que dormem um sono profundo, no conforto dos seus cestos forrados com mantas de lã. só o pequeno llugh brinca, sob o alpendre, perseguindo uma bola, um pedaço de papelão, ou talvez uma fugidia gota de chuva, em aventuras que apenas ele sabe.
na casa, o cheiro de maçãs assadas mistura-se com o da tarte de cogumelos, ainda no forno. a temperatura é agradável, a Humana canta baixinho, enquanto prepara o almoço, bebe um pouco de vinho tinto, põe a mesa, sob o olhar carinhoso do lost, o nosso adorável cão rafeiro.
durante estes últimos dias, houve alturas em que a casa se encheu de risos e afecto, canções, música, belas histórias lidas em voz alta. momentos mágicos, abraços, reencontros, lágrimas de pura alegria a aquecerem os olhos, os corações em festa.
queremos que, no decorrer do ano que começa, a alegria more, também, em cada um de vós, queridos leitores. e que, em caso de adversidade, não se apague a chama da esperança, a capacidade de estrebuchar, a firmeza no propósito de ultrapassar os obstáculos, aliada à práctica de construção de um quotidiano melhor e à de semear, discretamente, onde quer que o vosso olhar atento encontre terreno propício, os possíveis gestos de solidariedade.

imagem: mais uma das maravilhosas obras de su blackwell

setembro 17, 2008

é entrar, pequenada!!!



apresentador:
peço a todos um sorriso!
(e um aplauso, já agora...)

da vossa atenção preciso
pois,antes de me ir embora,
uma história vou contar
que é mesmo de arrepiar.

não fiquem já a tremer
nem façam muito banzé!
mas saibam que este não é
um conto p’ra adormecer.

vou tentar falar em verso,
a ver se não me disperso.

vamos, então, começar!


narrador:
aparício nunca dorme.
não é um azar enorme?

coro:
o que o traz tão ocupado,
p’ra andar assim, nesse estado?

narrador:
sempre que alguém adormece,
o aparício aparece
para os sonhos bons roubar
e só deixa pesadelos
de pôr em pé os cabelos.

coro:
é mesmo de arrepiar!
mas como é que ele faz
para disso ser capaz?

aparício (com ar malvado)
com o poder da magia
eu entro por uma porta
que dá p'ró mundo dos sonhos.

como o faço?
não importa!
são estratagemas medonhos
são coisas de meter medo
que não irei descrever.
só ficareis a saber
parte deste meu segredo:

levo comigo uma cana
comprida, com uma ponta
que é uma espécie de aranha.
e ela faz-se de tonta
mas nunca, nunca se engana:
só os sonhos bons apanha!

com um íman os atrai
numa teia os emaranha
com tenazes os aperta.

e nunca mais se liberta
todo aquele que nela cai.

narrador:
sem sonhos bons p’ra sonhar
os humanos entristecem
envelhecem emagrecem
amolecem apodrecem

coro:
adoecem, endoidecem...
como irá isto acabar?

narrador:
certo dia, um menino
pôs-se a sonhar com estrelas:
umas, da cor do oiro fino,
outras, azuis, amarelas...

coro:
e o aparício, ladino,
logo quis ficar com elas.



narrador:
mas do sonho, de repente,
salta uma estrela cadente,
e atira-se ao delinquente.
ao aparício, é evidente,
não sobrou nem um só dente.

coro:
ossos partidos, mazelas,
nódoas negras nas canelas,
ficou mesmo “a ver estrelas”!!

narrador:
iremos, então, saber
o que ele tem p’ra nos dizer:

aparício:

p'ra esquecer o meu passado
tornei-me bom, delicado.
e hoje, até sou chamado
de aparício- o- civilizado.

faço versos ao luar
e alegro quem estiver triste.
belos sonhos vou levar
a quem de sonhar desiste.

narrador:
a história chegou ao fim,
espero que não a esqueçam.
é um prazer para mim
ver-vos alegres, risonhos.

vão para casa, adormeçam
e tenham muito bons sonhos.

***fim***


foi este o pequeno espectáculo que preparámos e oferecemos à pequenada cá do sítio, no final da tarde de sábado passado, depois de umas horas de aprazível convívio, à volta de mesas onde nos foram servidas as melhores iguarias. houve quem abusasse do "licor dionisíaco" (precisamente, a pessoa que se tinha comprometido a fazer as fotos do encontro e do espectáculo), o que resultou numa triste reportagem fotográfica. para terem uma ideia, aqui fica uma das melhores fotos:


o jardim estava todo enfeitado e repleto de pessoas nossas amigas, familias inteiras de felinos da vizinhança, bem como outros que vieram de longe e, até, alguns bichos dos blogs que, iludindo os seus humanos, conseguiram dar um pulinho até cá. é óbvio que não mencionarei os seus nomes, pois não quero arranjar-lhes problemas...

o meu filhote artur, com o seu papillon vermelho, esteve simplesmente fantástico, no papel de apresentador/narrador. que bela presença ele tem, tão seguro de si e com aquela voz tão límpida!
eu e a brunildinha não actuámos neste espectáculo; mas o jasmim, a mimosa e o lancelote cantaram divinamente, com as suas vozes fininhas e harmoniosas.
a Humana também deu o melhor de si, encantando-nos com momentos de grande emotividade. e o cachorro lost poderia, com o seu civismo e delicadeza, servir de exemplo para muitos seguranças de discontecas "in", que tudo julgam "resolver" recorrendo à violência.

eu e os habitantes do jardim queremos agradecer aos amigos que estiveram connosco. e espero que, um dia, nos reúnamos todos, de novo, aqui neste cantinho blogo-esférico, para mais uma festa de arromba!

Arquivo de jardinagem