Março 02, 2012

VID






















olá, amigos!
ando um bocado aborrecida com a Humana. pôs-se a falar de limões, no post anterior, em vez de vos informar de que já estou completamente curada da minha infecção renal. tenho de comer uma comida especial e de tomar, diariamente um comprimido; mas agora já conheço as manhas da Humana e é o cabo dos trabalhos para me apanhar, quando suspeito que ela me vem dar a medicação.
o lost anda impossível de aturar e não me largou enquanto eu não lhe prometi que publicava a foto acima, aqui no "pequeno jardim".
é que, no domingo passado, devido ao seu ar simpático, foi autorizado a frequentar a esplanada de um bar de praia muito "in"; teve um comportamento exemplar, enquanto lá esteve, deixando a Humana cheia de orgulho (embora nos tenha confessado que fez um grande esforço para resistir ao impulso de dar uma grande corrida em direcção ao areal, por onde se passeava, toda vaidosa, uma cadelinha loira, de pêlo encaracolado).
foi tão elogiado pelo seu "charme" e boa educação que, agora, diz que tem de arranjar um  apelido chique, apropriado às qualidades atrás referidas.
há dias - disse-nos ele - ouvi a Humana mencionar um escritor cujo apelido me assenta como uma luva: lost byron! o que acham?
a gataria não lhe deu nenhuma importância, mas a Humana prometeu-lhe que, mal tenha tempo para isso, vai aplicar na almofada dele as seguintes letras: VID (very important dog).

P.S. pedimos desculpa por tão raramente comentarmos nos vossos blogs (embora os visitemos regularmente); eu tenho tido assuntos a tratar e a Humana tem andado ocupada a gerir algumas mudanças na sua vida. mas prometemos deixar uma pegadas nas vossas casas, este fim de semana.

Fevereiro 21, 2012

















à porta do mercado, aos domingos, o sr. filipe, um homem já bastante idoso mas possuidor de uma vivacidade invejável, monta uma pequena banca com produtos cultivados nas suas hortas. sou freguesa habitual, desde um dia de verão em que lhe comprei, a muito bom preço, alguns legumes e, sem nada pagar por isso, dele recebi bons conselhos, relativos a jardinagem e horticultura.
conto ao sr. filipe as minhas pequenas vitórias, nestas duas áreas, e algumas derrotas, também, realçando ele sempre as primeiras e minimizando as segundas, brindando-me ainda com umas frases animadoras.
anteontem, para além dos habituais legumes, comprei-lhe os limões que restavam na banca. ao fazer a conta, diz-me ele: os limões são de graça! recusei a oferta e, como ele não quisesse atribuir-lhes um valor, disse-lhe que não os traria comigo, caso ele não aceitasse, por eles, um euro.

um euro pelos limões, é muito! - protestava o sr filipe. - nesta altura, os limoeiros estão cheios deles!

então, eu disse-lhe que o euro que eu lhe tinha dado era uma pequena ajuda para a água que ele gastara a regar o limoeiro, bem como para o que gasta em combustível para transportar os produtos para o local onde os comercializa. ele ficou a pensar, por uns momentos, depois o rosto abriu-se num grande sorriso. agarrando num molho de hortelã, meteu-mo nas mãos: ah! mas por isto é que não me vai pagar mesmo nada! e faça de conta que é um raminho de flores que eu lhe ofereço...

Janeiro 31, 2012

infecção renal

hoje ando um bocado aborrecida. a Humana não me deixa sair de casa; só agora pude vir para o meu cestinho, apanhar um bocado de sol, mas sempre com ela a vigiar-me.














não posso comer da mesma comida dos outros gatos cá de casa, porque tenho uma infecção renal e estou a comer uma ração que, dizem, me ajudará a resolver este problema.
tudo começou no domingo à noite;  a Humana reparou que eu passava a vida a ir ao caixote de areia e só lá deixava umas pingas de urina; como este meu comportamento persistiu, durante o dia de ontem, levou-me a uma consulta no  recém-inaugurado Hospital Veterinário, aqui mesmo ao pé de casa.
fui muito bem recebida e o meu porte distinto foi muito elogiado.
"é uma bosques da noruega, não é?"
e a Humana, que tem sempre de estragar tudo:
não, é rafeirinha, a mãe é que era uma bosques da noruega pura.
fiquei bastante melindrada mas lá disfarcei; na sala de espera, travei conhecimento com o simpático gato pantufa, que vinha tratar-se de um abcesso, e um papagaio que passava a vida a dizer "olá", do qual não cheguei a saber o nome.
fiquei um bocadinho assustada quando me chamaram para a consulta; mas o dr. luis carvalho desfez-se em amabilidades comigo; levaram-me para uma salinha onde, depois de  me colherem urina para análise, me fizeram uma ecografia: portei-me muito bem, mas poucas alternativas tinha com um assistente a segurar-me as patas, enquanto a Humana me segurava a cabeça - a parte boa eram as festinhas que ela me fazia atrás das orelhas, coisa que eu adoro.  puseram-se todos a olhar para um sítio onde apareciam umas imagens a preto e branco que, pelos vistos, eram a minha bexiga, baço, fígado, intestinos; disseram que estava (quase) tudo "em ordem" e que a infecção devia ser causada por uns sedimentos (???) na bexiga. depois, o doutor levou-me para ser pesada (4,5 kg) e entregou-me, finalmente, à Humana, a quem fez várias recomendações.
agora, ando a tomar antibiótico e um outro comprimido, para além da tal "comida especial"; perguntei à brunildinha se ela tinha algum método para fingir que engolia comprimidos e, depois, deitá-los fora, mas ela respondeu:
idun, não tenhas ilusões: com aquele dispensador de comprimidos que a Humana usa, não há truque que resulte.

na próxima quinta-feira tenho de voltar ao hospital veterinário, para a Humana saber o resultado da análise à urina e para uma consulta de reavaliação.
marradinhas amistosas. espero que fiquem a "torcer" pela minha rápida recuperação.(não posso mesmo escrever mais, pois tenho de ir a correr ao meu wc. deu-me, outra vez, esta maldita vontade de urinar).



Janeiro 23, 2012

ontem celebrei o meu aniversário.
em pensamento, brindei aos afectos genuínos, agradeci à vida e à grande Luz que a alimenta. 
gosto do que sou e desta estrada que tenho percorrido. dos encontros férteis, dos pequenos segredos partilhados.

era uma estrada gélida, estéril e vazia
por onde ninguém passava;
e não tinha dimensão,
acabava onde partia.
reinventei essa estrada,
nela acendendo fogueiras,
plantando  árvores,
fazendo ladeiras de onde em onde,
de onde em onde colocando
pequeninas pedras,
pequeninas flores.
depois trouxe comigo os bichos inocentes,
chamei as aves
e com elas aprendi a cantar.

agora é bom
caminhar por essa estrada.

Humana,aka i.s., setembro de 2011

Janeiro 01, 2012

ano novo

brunilde - chega-te para lá, idun!
idun - o que é que foi, brunilde? não tenho o direito de estar ao pé do aquecedor, como tu?
brunilde - sim,tens, mas não em cima da minha mantinha!!!
idun - ora, mas eu não estou em cima da tua mantinha! estou em cima da minha: esta, aos quadrados vermelhos e verdes, vês?
brunilde - ai é?! então esta cauda farfalhuda, tigrada, que está em cima da minha mantinha castanha com desenhos de pegadas de gato, por acaso é minha?!! se é, posso mordê-la à vontade!
idun - ai, desculpa, nem tinha reparado... ainda estou  a ressentir-me dos festejos de ontem.
brunilde- e eu! olha, e se enfeitássemos um bocadinho o blog? vou colocar aqui a estrela vermelha:


idun - e eu, a estrela com pintinhas e renda:

 










tem sido assim, em ameno convívio, que passamos o dia de hoje; a Humana está a descansar: na passada semana entregou a tal tradução e - alegria das alegrias! - há quinze dias que o casal pitbull se mudou para uma outra casa, suficientemente longe daqui para que nos tenham sido devolvidos o dia a dia rotineiro e a tranquilidade habitual.
ontem, autorizou-nos a aceitar o convite da gatinha boneca para irmos festejar o réveillon a casa dos donos dela que, desde o natal, se encontram ausentes, em trás-os-montes. eu, a brida e a brunildinha ficámos todas entusiasmadas; ainda tentámos convencer o llugh e o artur a virem connosco - o lancelote passou o dia fora. mas o llugh disse que tinha um encontro marcado e o artur recusou-se a acompanhar-nos. "boa romaria faz/ quem em sua casa está em paz" , disse ele, deitando o olho para a tábua com queijos variados que a Humana tinha acabado de pôr na mesa. 
o lost, que sabia que a festa metia paté à discrição, estava à espera de ser convidado. "mas", tinha-nos dito a boneca, "se o convido a ele tenho de convidar a restante canzoada aqui da rua: o rambo, a atrevida, o ben, o dragão, o farrusco... quando começasse o barulho dos foguetes, na passagem de ano, era vê-los todos a ladrar e aos pulos, com medo... deixavam a casa em estado de sítio!"
felizmente, os vizinhos ruca e pimpolho (que aqui foram deixados, por "esquecimento", pelo casal pitbull, na altura das mudanças) aceitaram prontamente fazerem-nos companhia. assim, à hora marcada lá estávamos e a festa foi mesmo uma maravilha: fomos apresentados a alguns simpáticos felinos aqui das redondezas, que ainda não conhecíamos, e as horas passaram a correr. a única nota que destoou foi a brida ter tido um ataque epiléptico e logo na altura em que a dança estava ao rubro; a príncípio ainda pensaram que aqueles movimentos faziam parte de alguma complicada coreografia e houve, até, quem a aplaudisse. mas depois lá perceberam que o caso era sério e ali ficámos todos, especados, à espera que ela finalmente se acalmasse; e assim foi. esteve deitada durante um bocadinho, como morta e, de repente, levantou-se, foi comer, até não poder mais, de todos os acepipes, e depois disse-nos que se sentia bem e que iria ficar até ao fim da festa, só que já não tinha vontade de dançar.
quando chegou a meia-noite, todos festejámos a passagem de ano com muito entusiasmo; e agora cá temos este ano novo, que promete ser difícil mas, como diz a Humana, nada resolveremos mudos-e-cabisbaixos e de garras encolhidas. 
por isso, queridos visitantes, desejo-vos, para 2012,  muitos momentos "verdadeiramente fantásticos"!