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março 07, 2008

a gata-violino


só eu
só música
o sol acorda
no meu pelo
suaves miados de
gatinhos distantes
a minha perna
é um violino
só meu

ouves?
ino ino ino

poema da autoria de OÍN 

fevereiro 09, 2008

Fuga

Não fujas, gato,
não te assustes
que esta forma de cão
com que me vês
é só um estratagema
um entremez
a esconder a minha mansidão.

Repara, gato,
nos meus olhos
aguados da lembrança
do sítio onde nasci.
De lá fugi
por medo do cajado
do pastor desesperado
quando fugiu a ovelha
que logo se encontrou
com a boca do lobo
que da fome fugia.

Não fujas, gato,
que vás para onde fores
sempre te encontrarás
por dentro desse gato
com medo do teu medo.

E nem o cão pastor
nem a ovelhinha ruça
nem o lobo esfaimado
servirão de desculpa
para o pelo eriçado
para o rabo arqueado.

Sentirás quando muito
um pequenino orgulho
se um ratito atrevido
com medo do teu medo
fugir de ti, ó gato.



amiga idun,

disse-me a minha humana que estes versos podiam ter sido escritos pelo
lost que esconde um poeta naqueles olhos doces como o mel.
dá-lhe uma sapatada ternurenta por mim.

autora do poema e do texto em prosa: OIN

novembro 05, 2007

carta de apresentação



prezados visitantes deste jardim,

chamo-mo OIN. digo “chamo-me” e não “chamam-me” porque fui eu que me nomeei. os meus Humanos perceberam quando lhes bati à janela e gritei, gritei: OIN! OIN! OIN!
um deles, o mais corpulento, rosnou: muito prazer! e deixaram-me entrar. calculo que esta onomatopeia não vos diga nada sobre o meu sexo. pois bem. sou menina. menina gata. passei por muitas aventuras e desventuras antes de chegar a esta casota que passou a ser minha também. não sou uma beleza de felina, mas sou atraente, com todas as minhas assimetrias. um dos olhos não se fecha completamente. divirto-me muito com isso, pois nunca sabem se estou realmente a dormir. o outro, pobrezinho, sofreu um acidente de que se curou graças aos cuidados da minha Humana. no entanto, ficou com uma manchinha, como se fosse uma lente de contacto fora do sítio próprio. acho que me dá um ar sensual.
o meu casaco é feito de pele tricolor, aliás bastante exuberante. fico tão zangada quando a engraçadinha da minha Humana diz que sou feita de restos! eu sei que é a brincar, mas há coisas que uma gata não gosta de ouvir. desculpo-a, mas não deixo de correr para a caixa de cartão e de lhe afinfar umas fortes arranhadelas. alivia-me o stress. às vezes, a Humana diz: tens cá um mau feitio! faço de conta que não entendo.
para apresentação já chega. deixo outros pormenores à vossa imaginação. um dia destes voltarei aqui e darei notícias do meu mundo.

festinhas para todos da


OIN correia da silva

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