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julho 06, 2013

Em boas mãos

um destes dias, quando escovava o pêlo à brunilde, descobri que ela tinha um alto enorme na barriga, junto a uma das patas traseiras. telefonei para o Centro Médico Veterinário dos Olivais; a dra. Catarina Antunes, com a serenidade que lhe é habitual, conseguiu minimizar a minha angústia, apontando probabilidades várias, além daquela que logo me ocorreu: um tumor maligno.
foi, no entanto, com o coração nas mãos que lá levei a brunilde para observação. respirei de alívio quando, depois de a observarem cuidadosamente, quer a referida veterinária, quer o dr. Marco Raimundo, director clínico do Centro, me tranquilizaram, dizendo que, à partida, embora não me pudessem dar garantias a 100%, nada apontava para algo de grave.  marcámos a cirurgia para uns dias depois.


tudo correu da melhor maneira; a brunilde foi operada e acordou da anestesia, entregue aos afagos da sua amiga veterinária; regressou a casa, recuperou rapidamente e já foi tirar o penso.

cada visita ao CMVO é uma oportunidade para conhecer pessoas que dedicam afecto aos seus animais; há sempre uma  conversa que surge, espontânea, muitas histórias a trocar. é um verdadeiro prazer, também, conversar com estes veterinários que nos esclarecem sobre questões pertinentes relacionadas com a bicharada, de uma forma descontraída e segura, como seria de esperar, vinda de dois profissionais que acolhem com simpatia os nossos temores e esperanças. a cada nova experiência, ficamos com uma reconfortante certeza: a de que os animais que lá levamos não poderiam ficar entregues em melhores mãos.

agosto 12, 2012

sábado

idun- aí vem a Humana, a chegar da praia.
artur - mas ainda não são 10h30! se calhar,  a praia estava fechada...
idun- ó artur, mas julgas que a praia é uma loja, ou o quê? a Humana vai sempre muito cedo para a praia e regressa cedo, também. diz que só gosta de uns bons banhos no mar, mal o calor aperta vem logo embora.
olha, vai a correr avisar a tia brunilde de que a Humana está a dizer que quer tirar uma foto com ela!
brunilde- ai, meu Deus! aí vem a Humana, para me agarrar! o que quererá ela? será para me levar outra vez para a clínica?
artur- não tenhas medo, tia brunilde! é só para ficarem as duas numa foto!
brunilde -deixa-me ver se me esquivo desta! ela nem se penteou, e eu ainda não tive tempo de fazer a minha higiene...
Humana - anda cá, brunildinha, minha linda. vem tirar uma foto comigo!
clic!
































brunilde- ó Humana! que susto! até tive um ataque epieléctrico!
artur - hahahaha! tia brunilde, diz-se: "epiléptico" e não "epieléctrico"!
brunilde - aí é? então tu dizes "lepticidade" ou "electricidade"? é que eu senti uma espécie de descarga eléctrica, tal era a minha tensão nervosa. toma lá dois sopapos, seu atrevidote ignorante, e vai dar lições à tua mãe!

setembro 24, 2011

a brunilde ao sol de setembro



como estou cheia de pressa e tenho de sair, pedi à idun que acrescentasse umas palavras simpáticas a estas fotos da brunilde, tiradas hoje no nosso jardim.
desejo-vos uma boa noite de sábado e um domingo feliz!

janeiro 24, 2011

a star is born

espero que o novo ano tenha começado da melhor forma para todos os amigos deste pequeno jardim.
pequeno??? minúsculo, queres tu dizer.eheh
não interrompas, brunildinha! estávamos à espera que a Humana nos sugerisse alguma coisa de interesse para primeira postagem do ano: o facto de o "pequeno jardim" ter completado o 3º ano de vida, no dia 1 de novembro de 2010, por exemplo; contar o susto que todos apanhámos, quando a brida teve uma crise de epilepsia...
ora,deixa-te de tretas e escreve sobre aquilo que eu te pedi!
ou falarmos sobre a alegre passagem de ano... mas hoje a Humana está insuportável. há pouco,ouvi-a a resmungar: estamos entregues aos bichos! como se isso fosse uma coisa má. não percebo.... este jardim também anda entregue à bicharada e tudo corre pelo melhor.
 então, idun? quando é que escreves sobre aquele assunto que me diz respeito? mas não dês a entender que fui eu que te dei a ideia, ouviste?
a verdade é que a Humana é o único habitante do jardim que hoje anda mal disposto; a brida e a danu estão lá fora, a jogar à bola com o lancelote, o arturzinho e o lost estão a dormitar no grande cesto, junto ao aquecedor, a mimosa anda a explorar as redondezas, como é seu hábito, a brunilde está à janela, a ver se vê algum pássaro incautamente pousado num ramo do limoeiro, o llugh entretido com a leitura de um livro sobre o hitchcock...
 já estou a perder a paciência! despacha-te e vai directa ao assunto!
por falar na brunilde: depois de grande insistência do llugh, ela acabou por concordar em fazer um pequeno teste, para …
 não te esqueças de contar aquela parte da higiene!
bem, como ia dizendo, o llugh que, como já sabem, pretende vir a ser um realizador de renome, anda a fazer uns vídeos curtinhos, para ganhar experiência. convenceu a brunilde a fazer um teste, pois gostaria de a ter como protagonista de um thriller que se intitulará “you told me your secret”.
ela finalmente concordou;levou mais de 15 minutos a lavar-se, antes de começar a filmagem. quando o llugh, impaciente, lhe disse:
- então, tia brunilde? nunca mais acaba essas limpezas?
- ora, não quero que depois digam que eu não sou tão foto-higiénica como a idun!
eheheheh.EHEHEHEH
vá, mostra-lhes o resultado!


a brunilde enviou o vídeo via email ao gato carlão, de curitiba, que é um cinéfilo inveterado, e ele logo se desfez em elogios:
aí, gatona, você é a nova bette davis! ficou maravilha mesmo!
depois desta, muitas mais opiniões entusiásticas se fizeram ouvir. ela, no entanto, diz que não troca a vidinha pacata no pequeno jardim por uma carreira cinematográfica, mesmo que promissora. apesar disso, já a apanhei a autografar várias fotografias, para oferecer aos seus admiradores.
brunildinha davis. a star is born.

fevereiro 16, 2010

ouvi dizer que hoje é carnaval e tenho estado atenta, a ver quando é que a Humana, que saiu há pouco, nos bate à porta, vestida, tal qual a deusa diana,  com uma túnica leve e  esvoaçante  e acompanhada pelo cão lost, ornamentado com umas enormes hastes, representando o curioso caçador acteão, que a deusa transformou em veado.
infelizmente, eles acabaram de chegar e eram os mesmos que daqui saíram, ou seja: a Humana e o cão lost, este último a abanar a cauda, a Humana a dizer mal do frio e da chuva e de não sei que mais e, quando lhe perguntámos de que é que ela se ia mascarar, ela respondeu-nos que, com o péssimo humor com que hoje se encontrava, o mais certo era personificar o sweeney todd, o terrível barbeiro de elm street, e esperar as visitas com o seu estojo de navalhas bem afiadas.

fiz um sinal discreto à brunildinha, para nos retirarmos, antes que a coisa azedasse e, à falta de melhor forma de passar o tempo, entretivemo-nos a ver algumas fotos que a Humana guarda no seu arquivo "passeios".













brunilde - ó idun, o que é isto? será que a Humana fotografou um ovo estrelado e um pão, que levou para um passeio?
idun (risos) - não, brunildinha. é uma foto de uma pedra. a Humana diz que são raras e que, no dizer do povo, são "pedras que geram pedras". há aqui mais fotos, queres ver?
cá estão os nódulos, revestidos por mica: 














idun - e aqui,













podemos ver o nódulo que se irá soltar da pedra-mãe. por isso, em linguagem popular, estas são conhecidas como pedras parideiras.

brunilde - micas? pedras parideiras? mas que interessante! que palavras e que imagens inspiradoras! ó artur, vai buscar o meu bloco-notas, que eu preciso de escrever.
ora, então, cá está uma linda história para eu contar aos visitantes deste jardim:

há muito tempo, lá para os lados da serra da freita, vivia uma bela moçoila , robusta e de boas cores.
chamava-se maria do patrocínio mas todos a tratavam por micas, diminutivo que ela achava simpático e bem adequado ao seu jeito vivo e folgazão.
micas não parava quieta, era vê-la a trabalhar no campo e a dançar nos arraiais, mesmo em casa  era um andar para cá e para lá, dizia ela que tinha qualquer coisa que a não deixava sossegar, um redemoinho, uns calores, uns frenicoques que só lhe passavam castigando o corpo no excesso de trabalho e de dança.
tia remédios, a velha bruxa da aldeia, bem tentou, através de mezinhas  e rezas obscuras, livrá-la do malino que a habitava e lhe provocava tais efeitos. tudo em vão: micas continuava mais mexida que um vira minhoto. e foi precisamente nas voltas de um vira que encontrou sossego temporário: o jofre jeitoso, recém-chegado de orbacém, um lugarejo do concelho de caminha, prometeu um dia ensinar-lhe essa modinha lá da sua terra e para tal arrastou-a para um pé-de-dança só para dois, sob o olhar desinteressado de um velho sobreiro, no entardecer da serra.

ó vira que vira ó vira ó ai
as voltas do vira são boas de dar

em todas as casas, já a luz das candeias se apagara, quando ambos regressaram à aldeia, a micas tomada de uma paz que até ali desconhecera, o jofre caído de amores e a fazer contas à vida pois, se decidido não estivesse a casar com ela, a tal seria obrigado pelos costumes da época.
depois do casório, foi um não mais acabar de trabalho duro e  filharada,  até que a morte, por complicações ocorridas em gravidez na pré-menopausa, roubou à micas as cores, a alegria e o folguedo.

janeiro 13, 2010

brunilde, no seu melhor

tenho de reconhecer que o facto de ter sido submetida a uma intervenção cirúrgica me trouxe algumas vantagens: o gato diego, que anda em digressão pela américa latina, enche-me de atenções: é raro o dia em que não recebo um telefonema (reafirmando o seu amor por mim e manifestando a sua preocupação em relação à minha saúde), um ramo de flores, um recuerdo desses países para mim tão longínquos…
e a Humana, então, apaparicou-me como nunca o tinha feito antes, fazendo-me sentir uma verdadeira princesa.
quem não achou muita graça a isso foi a minha irmã brunilde. era vê-la, sempre que me visitava (nos dias em que eu estive um pouco prostrada) a deitar olho comprido às latinhas de paté ou ao peixe cozido que a Humana punha no meu prato.
para que ela não se sentisse menosprezada, expliquei-lhe que a Humana só me dava estes mimos extra, devido ao que me tinha acontecido.
brunilde – idun, explica lá o que é que te fizeram! doeu muito?
idun- ó brunildinha, eu já te disse que não dei por nada…
como eu nada lhe pude contar, a brunilde passou a escutar todas as conversas da Humana, a ver se conseguia obter alguma informação acerca do que me tinha sucedido.
Humana (ao telefone) – a idun foi operada mas, felizmente, recuperou bem e com muita rapidez. ah, cheia de mimos, claro!...
ontem, ao fim da tarde, a Humana chegou a casa e, contrariamente ao que é habitual, a brunilde não a esperava, no alpendre. encontrou- a, deitada na sua almofada de tecido polar.
Humana – olá, brunildinha! então, não vens comer a tua comida seca? o que é que se passa?
brunilde – ai, Humana! quase nem consigo mexer-me, com dores.
Humana – mas o que é que te aconteceu?
brunilde – nem imaginas! hoje, durante a tua ausência, andava eu muito bem a provar uma erva de gato , no quintal do ruca, quando senti uma tontura. vim a correr para casa mas não consegui aqui chegar, pois desmaiei, mesmo em frente ao portão do jardim.
Humana (consternada) – ohhh!
brunilde – o que me valeu foi que uns senhores que iam a passar chamaram logo um veterinário, que chegou pouco depois (já eu tinha recobrado os sentidos), num carro branco; levou-me para uma clínica, onde fui submetida a uma intervenção cirúrgica. depois, trouxe-me até aqui, com muito cuidado, e disse-me que tinhas de tratar de mim, como fizeste com a idun.
Humana – claro que sim, brunildinha. mas diz-me: onde é essa clínica? é que eu tenho de ir pagar a conta ao veterinário. e não deve ser pouco…
brunilde – aí é que tu te enganas. o veterinário é uma boa alma que, sabendo das despesas que tens connosco, me pediu para te dizer que não lhe deves nada. e até me fez jurar que não te dizia quem ele era, para tu não te sentires em dívida para com ele.
Humana – realmente, brunilde, ainda há gente de bom coração. mas olha, explica-me lá qual foi o tipo de cirurgia que ele te fez.
brunilde – ora, é como dizes . uma cirurgia. uma operação...
Humana – sim, mas que tipo de operação?
brunilde – humm…uma operação…bem… hã... uma operação… multibanco. foi isso!
Humana – estou a ver. algumas dessas operações são muito delicadas e, por vezes, extremamente debilitantes. vais ter de tomar medicação, fazer tratamentos...
brunilde – o meu, foi um caso especial. diz o veterinário que não preciso de medicação. é tudo à base de repouso, conforto e dieta. e, atenção: nada de comida seca! pode ser fatal! durante umas semanas, só peixe, fígado cozido e, diariamente, uma mini-lata de paté “delícias do mar” e outra de “sabores do campo”. ah! Já agora, antes de ires tratar da minha dieta de hoje, importas-te de pôr uma botija de água quente debaixo da minha almofada?

outubro 14, 2009

amigas, amigas



chamo-me rui honório. lecciono, há quase 20 anos, a disciplina de história, na escola secundária de estevas.
estevas é uma pequena vila, situada no alentejo litoral; aqui, o quotidiano é calmo: um casamento, um divórcio, a morte inesperada de algum habitante da vila, são os factos que normalmente quebram a monotonia destas vidas.
ontem, um acidente deixou consternados os habitantes de estevas: inês, de 19 anos, filha de um médico que reside em lisboa e é proprietário de um monte, a 5 km da vila, foi atropelada por um automóvel, quando ela e carla, da mesma idade, filha dos proprietários de um café local, dançavam no meio da estrada, à saída da discoteca bubbles, que fica situada junto á praia. o condutor do veículo declarou nada ter podido fazer para evitar o atropelamento. inês está internada e o seu estado de saúde é grave. embora haja hipóteses de sobreviver, os médicos não sabem quais as consequências que poderão resultar das lesões sofridas.

filipa, 17 anos de idade, irmã de carla, foi quem telefonou ao pai de inês, para o avisar do acidente. foi ela quem explicou à polícia como tudo se passou, pois carla encontrava-se em estado de choque, depois do que aconteceu. hoje, fechada no seu quarto em casa dos pais, balbucia frases desconexas, parece apavorada, só admite a presença da irmã, que fala com ela muito baixinho, a tentar acalmá-la. o que dirá filipa à sua irmã mais velha, irmã que ela sempre idolatrou, a ponto de lhe imitar os gestos , tom de voz, forma de vestir e até de usar as mesmas expressões verbais, desde criança?

na qualidade de amigo dos pais e ex-professor de carla, fui visitar esta última, para tentar conversar sobre o que se passou ou, pelo menos, acalmá-la um pouco. quando ia a entrar no quarto, ouvi filipa dizer uma frase que achei, no mínimo, estranha, dada a amizade que unia as três miúdas, desde a infância. e eu posso não ter ouvido bem, mas quase ia jurar que ela dizia á irmã: “tinha de acabar assim, ela há muito que estava a pedi-las...”

nem sei bem como é que tudo aconteceu, diz –me, pouco depois, a filipa. (carla continua a recusar-se a falar com quem quer que seja, para além da irmã, e comigo não abriu excepção).
dizem que, em pequenas, éramos parecidas com o que somos agora. o professor lembra-se de nós, com essa idade? a carla era linda: loira, pequenina, roliça, rosada; eu já na altura era assim, morena, cabelo liso com franja. era a mais extrovertida das duas, por vezes até demais. quantas vezes os meus pais tiveram de me mandar calar, para não incomodar os clientes...
um dia, estávamos, como de costume, no café. eu tinha 5 anos, a minha irmã, 7. a inês entrou, com os pais: era morena e magricela, mas tinha uns grandes olhos verdes e um sorriso muito bonito, lá isso tinha.
a inês e os pais viviam em lisboa. a mãe era decoradora de interiores, o pai, médico, tinham comprado um monte aqui perto e estavam a arranjá-lo – recuperá-lo, disseram eles ao meu pai - para começarem a ir lá passar alguns fins de semana.
e o certo é que começaram a aparecer no nosso café com regularidade, nós e a inês já brincávamos juntas e, a partir de certa altura, até nos convidavam para irmos passar o dia com eles, lá no monte. era sempre divertido, lá isso era, sobretudo no verão, quando podíamos nadar e brincar na piscina. e tinham um cão muito bonito, um golden retriever, acho que é essa a raça . chamava-se noah.
e depois, quando a inês tinha 12 anos, os pais divorciaram-se. deixámos de a ver, o monte ficou praticamente ao abandono; só o pai dela aparecia de vez em quando, de fugida, nem sequer lá ficava de um dia para o outro.
o tempo foi passando, a minha irmã continuou tão bonita como sempre foi. teve – e tem - vários rapazes apaixonados por ela, mas ela não lhes liga nenhuma, sabe? arranja-se muito, veste-se bem, sempre na moda, ela diz que os nossos pais podem comprar-nos muitas roupas e outras coisas assim, porque temos melhores condições económicas do que grande parte das pessoas aqui da terra.
e não é que ontem, ao fim de seis anos sem nos vermos, a inês aparece lá no café? cresceu muito, continua com aquele ar esquisito, mas as pessoas continuam a achar que ela é bonita. não despegavam os olhos dela, até mesmo os rapazes que cá vêm habitualmente, na esperança de que a minha irmã lhes dê alguma atenção. o que eles não sabem é que a carla anda apaixonada: ele chama-se luis, mora em lisboa, já há algum tempo que vem cá, com uns amigos, costuma frequentar a bubbles.
pois a inês convidou-nos para jantar, e a minha irmã lá aceitou, um bocado contrariada, mas avisou logo que a seguir ao jantar, eu e ela tinhamos de ir à discoteca, já estava combinado. ela não disse mais nada, é claro, mas como já deve estar a calcular, queria ir lá só para ver o luis, sabia que ele, ontem, ia lá estar. e a inês também não fez perguntas, até achou gira a ideia de ir connosco dançar, embora não a tivéssemos convidado.
o jantar foi muito divertido. havia tantas coisas, tantas coisas de que falar, seis anos é muito tempo, não acha? no final, lá fomos nós para a bubbles onde, como seria de esperar, estava o luis, com o seu grupo de amigos. ele até parecia “simpatizar” também com a carla, sabe? mas ontem, quando viu a inês, nunca mais conseguiu tirar os olhos dela. pediu à carla para lhe apresentar a amiga, quis logo ir dançar com ela, até parecia que a minha irmã tinha deixado de existir. a carla foi dançar sozinha; se queria dar nas vistas conseguiu-o, com aquela maneira um bocado espalhafatosa, mas gira, de dançar. nunca a tinha visto a dançar assim. e apesar disso tudo, o parvo do luis parecia nem sequer reparar nela, sempre a conversar com a inês, sempre a rir das coisas que a inês dizia... até eu estava irritada com ele, por causa disso, agora imagine como estaria a minha irmã. ela só insistia em ir-se embora, tinha uma cara esquisita, como se estivesse quase a chorar e depois, de repente, uns ataques de riso! juro-lhe, eu estava tão preocupada com a carla!
um bocado contrariada (sim, contrariada) a inês foi telefonar ao pai, para nos vir buscar. e lá fomos, tal como tínhamos combinado, esperá-lo à porta da discoteca, mesmo junto à estrada.
e o luis que não despegava, a pedir à inês o número de telemóvel e a querer marcar encontro com ela para o dia seguinte!
finalmente, lá se foi embora, se calhar percebeu que a carla estava a ficar muito nervosa. e a verdade é que, mal ele desapareceu, ela e a inês puseram-se a discutir uma com a outra, digo-lhe, não sei quem é que começou, só sei que de repente a minha irmã já estava aos gritos e a inês sempre com aqueles ares de senhora, mesmo a provocar...eu mantinha-me calada, mas estava com tanta pena da carla, nem imagina! e de repente distraí-me com um grupo que passou, a cantar muito alto, em direcção à praia. foram só uns segundos, acredite, mas quando voltei a olhar para elas, ouvi um carro a travar, e a minha irmã a dançar com a inês, no meio da estrada e a inês, de repente, a atirar-se contra o carro! mas, sabe, ela já tinham feito as pazes e estavam a dançar, as duas! sim, a dançar! mesmo que o luis ande a dizer que voltou atrás quando ouviu a minha irmã a gritar com a inês e lhe pareceu que a viu a empurrá-la, quando o carro vinha mesmo a passar. e depois, a dizer que a minha irmã tinha abusado das bebidas! foi só um shot ou um vodka com laranja, garanto, nada demais. e quando o carro passou, digam o que disserem, elas já tinham feito as pazes e por isso estavam as duas a dançar. afinal, são amigas. amigas, há tantos anos!


foi com este texto, subordinado ao tema “amizade”, que a brunilde participou no concurso promovido pela diligente câmara municipal de vale de abutres, simpática localidade escondida no mapa de portugal.
quando o enviou, a minha ingénua irmã nem suspeitava que também iria a concurso um texto de conceituado escritor, que logo se abarbatou com o 1º prémio. mesmo assim, “amigas, amigas” valeu-lhe uma menção desonrosa.cá p’ra mim, foi jeitinho que lhe fez um elemento do júri, que anda de olho nela desde que se conheceram, na última passagem de ano; foi ele quem lhe deu conta do tal concurso e a incentivou a participar. mas nem me atrevo a comentar isto com a brunildinha, senão tem um ataque de nervos e, quando isso acontece, as consequências costumam ser desastrosas para quem estiver por perto.

janeiro 10, 2009

frio, lá fora

brunilde:Humana, com este frio, é melhor ficarmos em casa, não é?
Humana: claro, brunildinha. mas apetece-te ir até ao jardim?
brunilde: não, não. gosto mesmo de estar aqui contigo: as duas, tranquilamente, a conversar ou a ver filmes, enquanto os outros bichos dormitam. esta mantinha laranja que acabaste de pôr em cima do sofá, parece quentinha e confortável.
humana: é, pois... tal como as vossas almofadas.
brunilde: olha, enquanto conversamos podias fazer-me uns mimos. que dizes a umas festas nas orelhas, por exemplo?


brunilde: ronron ron
Humana: vou preparar um chá para mim e já volto.
brunilde: já agora, podias trazer-me um pires de leite quente? enquanto tratas disso, vou deitar-me um bocadinho, abraçada ao jasmim, e aproveito para estrear a mantinha. não te preocupes, nós deixamos espaço para ti, no sofá.

novembro 24, 2008

a brunilde inventa um passatempo

este jardim tem andado numa azáfama, nos últimos dias. a Humana cheia de afazeres, quase sempre ausente de casa. e adivinhem lá para quem é que sobra a responsabilidade de manter tudo em ordem, por cá? para mim, idun, é claro!
há dias, em conversa com as minhas irmãs, filhos e rafeirinho lost, achámos que era injusto que a Humana se visse obrigada a trabalhar tanto, para nos sustentar. elaborámos um plano para conseguirmos angariar algum dinheiro e metemos, logo em seguida, patas à obra. assim, durante a noite, o lost passou a fazer ronda, para manter a segurança aqui na rua. serviço pago, obviamente, pelos moradores das vivendas que não têm cão de guarda. os meus filhos, artur e lancelote, e a mimosa, são exterminadores implacáveis dos ratos existentes nos quintais da vizinhança e também são pagos por esse trabalho. o gato jasmim, apesar de cego, ajuda o casal vizinho a amanhar a terra da horta. eu supervisiono as tarefas e responsabilizo-me pela parte da contabilidade. e a brunilde...
a brunilde passa os dias entregue à boa vida:
quando arranjei coragem para lhe chamar a atenção para o facto de ser a única que não tem colaborado na execução do nosso plano,não me livrei de levar dois tabefes, antes que ela me respondesse:
- o teu cérebro, idun, é do tamanho de uma ervilha murcha. tenho passado estes dias a pensar e a inventar passatempos. até já tenho um preparado, só preciso que me corrijas os erros ortográficos e o publiques, em seguida, no blog.
assim fiz. deixo-vos com o passatempo inventado pela brunilde.

PASSATEMPO
observem com atenção a foto que se segue e respondam à seguinte pergunta:
onde está a brunilde?


@ quem acertar, terá a oportunidade de sustentar a bicharada cá do jardim, durante um período de seis meses. ração e paté das melhores marcas, peixe fresco cozido com legumes e outros acepipes. como prémio, poderão levar-me a mim, a simpática brunilde, para os seus lares, por períodos a combinar, desde que os mesmos disponham do conforto adequado a uma felina exigente: se for no período frio, por exemplo, terão de ter um mini-colchão permanentemente aquecido, mantas polares e outras coisas que especificarei, na altura.

@ quem não acertar, será penalizado. terá de transferir um mínimo de 100€ (cem euros) para a minha conta bancária, cujo NIB indicarei, oportunamente.
@ àqueles que resolverem fingir que não leram este post e saírem de mansinho, sem deixar comentário, será aplicada uma multa de 200€. caso resolvam não pagar, serão seguidos pelos "Cobradores do Fraque" e brutalmente espancados por meliantes contratados por mim, logo que os apanhem, a horas mortas, numa rua deserta.

é tudo, amigos. espero que se divirtam com este passatempo. marradinhas e ronrons da
brunildinha

agosto 30, 2008

brunilde e as lições de escrita e leitura

foi com latinhas de paté "sabores do campo" que a Humana convenceu a minha irmã brunilde a aprender a ler e a escrever. por cada lição que recebe, tem direito a este acepipe, que adora. mas, como não podia deixar de ser, a brunilde pôs algumas condições: uma delas é assistir às aulas, toda refastelada no seu cesto.

para além de representar um mau exemplo para os meus filhotes, aos quais obrigo a assistir às lições, sentados e com a máxima atenção, não é raro ela pôr-se a dormitar, enquanto eu faço uma leitura ou escrevo um texto no chão do jardim.


querem vê-la atenta e entusiasmada? bem, é só esperar que passe uma mosca ou que se ouça o canto de um passarinho...

a brunilde não presta nenhuma atenção aos meus ensinamentos e, ainda por cima, ela, que é uma péssima aluna, faz questão de assentar uns tabefes nos meus filhotes, sempre que eles não dão resposta certa a alguma pergunta que eu lhes faça!
mas sei que, com a minha irmã, não vale a pena eu teimar. se lhe chamo a atenção, por exemplo, para o facto de dar imensos erros ortográficos, é isto o que ela me diz:
-olha, vou escrever uma frase e tu vais dizer-me se entendeste o que eu escrevi.
-é claro que eu entendo, brunilde. mas quase não há uma palavra que tenha sido escrita correctamente...
- bem, isso não tem a menor importância. consigo comunicar, que é o que interessa!
e, sem me dar oportunidade de expôr as minhas razões, retira-se para dentro de casa, onde passa o tempo a ler policiais.
fico ofendida com o desrespeito com que ela me trata e até deixo de lhe falar, por umas horas. mas julgam que se importa? então, vejam só o bilhete que ela deixou hoje na minha almofada:
idun, não tesqessas de me criar um imeile no çápo. avizo qe cenão tratáres diço esta tárde lévas dois çupápos qe até vôas.
e jágora dejita-e-aliza esta minha fóto para eu uzar no meu prefil do mécenjer.

açinado: brunildinha

abril 13, 2008

preocupações e desconfianças

hoje, a Humana veio muito aborrecida para casa. foi tomar chá a casa de uma amiga e, enquanto ela lá esteve, a idosa gata becas, que também lá mora, olhou-a, sempre, com este ar que podem observar na foto.
"até parece que desconfiava de mim, idun" - queixou-se a Humana. " de mim, que gosto tanto de gatos!"
deixa lá, Humana, vais ver que não é nada disso. nós, os felinos, também temos as nossas preocupações. especialmente quando chegamos à idade da becas. vá, deixa de pensar nesse assunto e vai mas é tratar de preparar um bom peixinho com arroz e legumes para nós!

entretanto...


a brunilde aproveitou a ausência da Humana e continuou a destruir um dos arbustos de malmequeres que ela plantou, no ano passado, no quintal.
eu fiz questão de registar os acontecimentos, não só para provar, quer a minha inocência, quer a dos meus filhotes - que estão sempre a ser acusados de todos os estragos que se verificam, seja em casa, seja no quintal ou, até, nas redondezas, mas também porque, se a Humana der pela destruição do arbusto antes de nos dar o jantar, há-de seguir a minha sugestão de pôr a brunilde a comer a habitual ração seca, sobrando, assim, mais paparoca, da boa, para os restantes, nos quais eu, idun, estou incluída, eheheh!

março 09, 2008

bbbb(r)uuuuuú....






...nilde.



(a minha irmã brunilde, no seu melhor)

janeiro 28, 2008

sol, amuos&desconfianças




olá, amigos! devem estranhar o facto de que eu, habitualmente simpática e sempre pronta a posar para uma foto, ostente, na foto acima, um ar um pouco enfadado e distante. é que estou muito zangada com a Humana: depois de ler uma resposta que aqui dei a um comentário do amigo legível, ela descobriu que tínhamos aproveitado a ausência dela e do cachorro, em época natalícia, para grandes festarolas com a gataria da vizinhança. contabilizou os gastos em comida&etc: quase dois sacos de 15 kg de ração, em apenas cinco dias! frascos de leite para gato, é melhor nem falar... e, o pior de tudo:a casa, apesar de arejada, e o meu casaco felpudo, bem como o da minha irmã brunilde, empestados de cheiro a tabaco!!!
para cúmulo, como tem acesso ao meu email, descobriu que eu me preparava para meter em casa um suspeito de pedofilia, com quem travei conhecimento num chat em que usei a foto de uma lindíssima gatinha de dois meses de idade, como se fosse a minha...
enfim, por todas estas razões, fui impedida de aceder à net, durante mais de dez dias.

ontem, para mostrar que um felino também tem amor-próprio, passei toda a tarde com o ar que acima vêem. regalei-me a apanhar sol mas fiz de conta que não estava a gostar. só para a Humana ficar com remorsos, entendem?

 a brunilde não precisou de grande esforço para fingir que estava aborrecida pois, já de si, é bastante mal-encarada. já o jasmim, o gatinho cego, ia deitando tudo a perder, pois estava mesmo contente com o banho de sol e até começou a ronronar, quando a Humana falou com ele.
houve uma altura em que o gato mimir deixou escapar um bocejo, com um ar muito satisfeito, que imediatamente disfarçou, começando a lavar uma pata. medo das minhas represálias, pois!


como resultado da minha estratégia, a Humana cozinhou para nós uma refeição de fígados de frango (muitos), legumes (q.b.) e arroz (q.b.), como nós tanto gostamos. e à noite, lá lhe concedemos o privilégio de lhe fazer companhia, enquanto ela assistia a um filme, na TV. hoje, já tive autorização para actualizar o meu blog e consultar emails.
tenho recebido muita correspondência e o cachorro lost também foi alvo de emails elogiosos. a partir de agora, recomeçarei a publicar, em ritmo acelerado, para compensar estes dias de interregno.

novembro 02, 2007

um pequeno jardim, na cidade



nasci num pequeno jardim, para o qual davam as janelas da sala do rés-do-chão de um apartamento. a pessoa que habitava a casa tinha um gato ruivo, já muito idoso, que era muito mimado. os meus pais, que eram gatos de rua, também eram alimentados pela habitante da casa. iam, inclusive, comer as suas refeições em recipientes metálicos que eram postos no peitoril de uma das janelas. a habitante da casa abria a janela e dizia-lhes: riscas, ísis, venham comer!
riscas e ísis, assim se chamavam. começarei por contar a história deles.

os meus pais

o riscas era um gato tigrado; magricela e assustadiço, quando começou a aparecer naquele jardim. a habitante da casa foi-lhe dando comida e, pouco a pouco, tornou-se um belo gatarrão.

um dia, trouxe para o jardim uma companheira. era uma gata lindíssima, ainda mais arisca do que ele. a habitante da casa, que ficava durante muito tempo a olhá-la, chamou-lhe ísis.

com alimentação garantida e relativamente protegidos dos perigos que normalmente enfrentam os gatos de rua, rapidamente decidiram constituir família. e o pequeno jardim em breve passou a ter, não dois, mas cinco habitantes. numa noite de março, o riscas e a ísis foram pais de três gatinhas.
"irmãos, são como dedos das mãos", dizem os humanos. este ditado assenta como uma luva, se aplicado aos três rebentos deste interessante casal, ou seja, a mim e às minhas irmãs.


mimosa


o nome diz muito sobre a sua personalidade. a mimosa é uma gata muito meiga, sempre a pedir festas e atenções. das três, é a única que mia muito, com uma voz melodiosa e fininha.


brunilde


a brunilde é a mais arisca das três. no entanto, agora que temos autorização para viver com a habitante da casa, ela é a única que a segue para todo o lado. mas não permite que ninguém lhe toque, muito menos que lhe peguem ao colo.

idun

esta sou eu. das três, a mais parecida com a nossa mãe. só que não sou nada arisca, antes pelo contrário: adoro mimos e penteadelas, bem como posar para fotografia. e o conforto de uma manta polar é algo que aprecio verdadeiramente, nos dias frios.

em dezembro do ano passado, abandonámos o jardim da cidade e viemos morar para uma casa onde podemos entrar, sempre que nos apeteça, e temos um jardim e um quintal só nossos. mas, é claro, passeamos pelos quintais dos vizinhos, que já nos conhecem. os nossos pais ficaram entregues aos cuidados de um casal que vivia num outro apartamento do mesmo prédio. connosco vieram mais dois da nossa espécie, meus sobrinhos. e o velho gato ruivo, claro. mas esse morreu pouco depois de cá nos termos instalado. e também veio um cão, que é nosso amigo e protector. falarei deles, num outro post.


nota: quando nos despedimos, a mãe fez-nos um aviso: estimem muito esta humana que vos leva com ela, pois a partir de agora, é vossa. assim, e porque me disse querer conservar o anonimato, passarei a referir-me a ela, nestes termos: a nossa Humana. pois.

Arquivo de jardinagem