março 29, 2009

gloomy sunday

atenção, liguem o som do vosso pc e fiquem de ouvido atento!
ouvem? é a Humana que está a cantar "gloomy sunday", enquanto toma banho. incrível, como ela consegue imitar, na perfeição, a voz e o estilo de billie holiday.

tive uma ideia: pedi à brunildinha que fosse buscar a letra da canção, que vou publicar aqui, de seguida, para que vocês, leitores, e nós, bicharada do pequeno jardim, possamos surpreender a Humana, cantando-a, em coro. estás preparado (a), querido (a) leitor(a)? aí vai a letra:

Szomorú Vasárnap

Szomorú vasárnap száz fehér virággal
Vártalak kedvesem templomi imával
Álmokat kergető vasárnap délelőtt
Bánatom hintaja nélküled visszajött
Azóta szomorú mindig a vasárnap
Könny csak az italom kenyerem a bánat...

Szomorú vasárnap

Utolsó vasárnap kedvesem gyere el
Pap is lesz, koporsó, ravatal, gyászlepel
Akkor is virág vár, virág és - koporsó
Virágos fák alatt utam az utolsó
Nyitva lesz szemem hogy még egyszer lássalak
Ne félj a szememtől holtan is áldalak...

Utolsó vasárnap

um, dois, três... podemos começar!

o quê, queriam o poema em inglês? mas para quê? é assim tão difícil, cantarem o poema original? vá, tentem! ai ai, estou, daqui, a ouvi-los e isto até parece os "parabéns a você", cantado pela turma de mindinhos do infantário aqui da rua...
bem, amigos, será melhor desistirmos da ideia. vou aproveitar para aprimorar a minha aparência e, para tal, começo pelos meus cuidados de higiene.




estou a ver que esta pata traseira ainda precisa de mais uns retoques:



reparem só na elegância do meu porte!



cá estou eu, pronta para uma bela foto tipo passe.


gostam?

bom domingo e uma boa semana para todos.


* em 1933, o pianista e compositor rezso seress compôs uma canção para o poema de lászló jávor, que acima publico. ambos eram de nacionalidade húngara. essa canção é a versão original de "gloomy sunday".

março 21, 2009

bom dia, primavera

pediram-me poesia.
e eu, simples felina, lembrei-me de vos deixar aqui as flores que hoje me saudaram, com a voz ainda menina da primavera.



março 15, 2009

senhora dos passos



sou andarilha e teimo em caminhos solitários, tantas vezes sem rumo certo. outras vezes, porém, junta-se ao meu o andar de outros caminheiros e partilho com eles o prazer dos percursos traçados.
cada caminhada traz consigo o sabor da aprendizagem e do desafio. senhora dos meus passos, sonho decifrar a enigmática quietude dos lagos; e mentiria se dissesse que não receio as ameaças de um céu coberto de escuras nuvens. mas quero guardar em mim, intacta, a imagem de pequenas flores, anunciando, em tapete branco que um vento muito leve agita, uma nova, luminosa estação.




NOTA: post da idun, abaixo, complementa este.

dança versus passeatas

desculpem a franqueza mas eu acho que a Humana e o lost não passam de dois tansos. vão para as passeatas e julgam que nós nos ralamos muito por não podermos acompanhá-los! (bem, é melhor deixá-la ficar a pensar que é assim, sempre hei-de arranjar uma forma de tirar partido do sentimento de culpa com que ela há-de ficar eheheh).
na verdade, arranjamos sempre coisas interessantes para fazer. a mimosa que, tenho de admitir, é uma gata cheia de dotes artísticos, resolveu, num desses dias em que a Humana e o lost foram logo de manhã cedo para uma caminhada, presentear os habitantes do pequeno jardim com uma exibição em primeiríssima mão (ai, acho que esta rima é um bocado pirosa mas quero lá saber!), uma estreia mundial, como ela nos disse, do inovador número "mimosa sibel e a sua dança de ventre com sombras"
 
 
tendo como convidado especial o nosso vizinho ruca, fervoroso admirador da mimosa, que assistiu à actuação com ar perfeitamente siderado.

março 08, 2009

i only have eyes for you

amigos, tenho grandes novidades para vos contar.

a primeira é que, desde o passado domingo, eu, a brunilde, o lost e a nossa Humana voltámos a ir viver na cidade, durante os chamados "dias úteis". ao sábado, regressamos ao nosso pequeno jardim, para passarmos o fim de semana e matarmos saudades dos meus dois filhotes e da mimosa, que lá estão, muito bem entregues a uma amiga da Humana. eu e a brunildinha achamos que a casa da cidade é agradável, sobretudo por causa do pátio, onde deve ser bom apanhar banhos de sol. mas a Humana já nos preveniu de que esta é uma situação provisória e que, mal terminem os seus afazeres na capital, nós, os meus filhotes e a mimosa voltaremos a viver juntos.
quem ficou alterado com esta mudança, foi o nosso rafeirinho, o cão lost. anda com ar distraído, não tem apetite, quase nem liga, quando a Humana tenta brincar com ele...
eu, a brunilde e a Humana bem tentamos descobrir o que se passa. mas a única coisa que a Humana garante é que ele ficou assim, desde terça-feira passada, dia em que a acompanhou ao cabeleireiro (ficando à espera dela, à porta, é claro).
e tivemos de esperar até ontem, para que o mistério ficasse esclarecido. mal chegámos aqui ao jardim, o arturzinho veio a correr ter com o lost, a dizer que havia correspondência para ele.
lost - viste se o envelope tinha remetente?
artur -bem, é de uma tal sissi...
lost (suspirando) - despacha-te e vai lá buscar a carta. ah, e depois vamos para um sítio onde ma possas ler, sem haver vários ouvidos à escuta (ao dizer isto, revirou os olhos, na nossa direcção).
pois. o lost acha-se esperto mas a verdade é que o levámos "à certa". a mimosa seguiu-os, escondendo-se entre a folhagem das plantas, e ouviu o artur ler o que estava escrito na tal carta.

"querido lost,
nem calculas como gostei de te conhecer. foi uma sorte termos os nossos números de telefone na medalha que trazemos presa à coleira, pois assim podemos cãoversar, sempre que nos apetecer; entretanto, eu pedi à minha dona que, através do serviço de informações da PT, conseguisse a tua morada.
gostei de saber que tiveste futuro garantido em hollywood, como actor. e achei bonito que tivesses desistido desse sonho, só para não te afastares da tua família. revelaste os teus bons sentimentos, não abandonando os que te amam e dependem de ti.
eu, como já te disse, sou uma diva do latido lírico e encanto multidões com este meu dom. mas abdicarei, também, da minha carreira, se tal for necessário para que fiquemos juntos para sempre.

aguardo que me telefones, quando chegares à cidade, para combinarmos um encontro. e envio, também, uma foto minha, junto da minha dona, tirada poucos minutos depois de os nossos olhares se terem encontrado- eu naquele salão e tu, lá fora, de focinho colado à montra... só tinhas olhos para mim...

patadinhas e lambidelas da tua
sissi de lapalisse "




foto: voller ernst/ the image works

Arquivo de jardinagem