novembro 02, 2007

um pequeno jardim, na cidade



nasci num pequeno jardim, para o qual davam as janelas da sala do rés-do-chão de um apartamento. a pessoa que habitava a casa tinha um gato ruivo, já muito idoso, que era muito mimado. os meus pais, que eram gatos de rua, também eram alimentados pela habitante da casa. iam, inclusive, comer as suas refeições em recipientes metálicos que eram postos no peitoril de uma das janelas. a habitante da casa abria a janela e dizia-lhes: riscas, ísis, venham comer!
riscas e ísis, assim se chamavam. começarei por contar a história deles.

os meus pais

o riscas era um gato tigrado; magricela e assustadiço, quando começou a aparecer naquele jardim. a habitante da casa foi-lhe dando comida e, pouco a pouco, tornou-se um belo gatarrão.

um dia, trouxe para o jardim uma companheira. era uma gata lindíssima, ainda mais arisca do que ele. a habitante da casa, que ficava durante muito tempo a olhá-la, chamou-lhe ísis.

com alimentação garantida e relativamente protegidos dos perigos que normalmente enfrentam os gatos de rua, rapidamente decidiram constituir família. e o pequeno jardim em breve passou a ter, não dois, mas cinco habitantes. numa noite de março, o riscas e a ísis foram pais de três gatinhas.
"irmãos, são como dedos das mãos", dizem os humanos. este ditado assenta como uma luva, se aplicado aos três rebentos deste interessante casal, ou seja, a mim e às minhas irmãs.


mimosa


o nome diz muito sobre a sua personalidade. a mimosa é uma gata muito meiga, sempre a pedir festas e atenções. das três, é a única que mia muito, com uma voz melodiosa e fininha.


brunilde


a brunilde é a mais arisca das três. no entanto, agora que temos autorização para viver com a habitante da casa, ela é a única que a segue para todo o lado. mas não permite que ninguém lhe toque, muito menos que lhe peguem ao colo.

idun

esta sou eu. das três, a mais parecida com a nossa mãe. só que não sou nada arisca, antes pelo contrário: adoro mimos e penteadelas, bem como posar para fotografia. e o conforto de uma manta polar é algo que aprecio verdadeiramente, nos dias frios.

em dezembro do ano passado, abandonámos o jardim da cidade e viemos morar para uma casa onde podemos entrar, sempre que nos apeteça, e temos um jardim e um quintal só nossos. mas, é claro, passeamos pelos quintais dos vizinhos, que já nos conhecem. os nossos pais ficaram entregues aos cuidados de um casal que vivia num outro apartamento do mesmo prédio. connosco vieram mais dois da nossa espécie, meus sobrinhos. e o velho gato ruivo, claro. mas esse morreu pouco depois de cá nos termos instalado. e também veio um cão, que é nosso amigo e protector. falarei deles, num outro post.


nota: quando nos despedimos, a mãe fez-nos um aviso: estimem muito esta humana que vos leva com ela, pois a partir de agora, é vossa. assim, e porque me disse querer conservar o anonimato, passarei a referir-me a ela, nestes termos: a nossa Humana. pois.

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