outubro 11, 2015

Pepa e Gorax

o tempo voa. já passaram seis meses desde que aqui postei uma foto que a Humana me tirou e na qual era bem evidente a minha beleza.
no jardim, a vida segue sem grandes sobressaltos para a gataria. devo mencionar, apenas, o susto que o vizinho King - um cão muito amistoso, arraçado de labrador e que pesa cerca de 40kg - pregou ao meu filho artur, quando começou a correr em direcção a ele, para brincar. não sabendo as intenções do King, o artur desatou a fugir, correndo como uma flecha, e saltou para o ramo de uma árvore, de onde teve de ser resgatado pela Humana.
por falar em cães: o rafeiro Lost acabou de receber uma carta do primo Gorax que vive no verde minho.

"caro Lost,
espero que a tua idade já um pouco avançada não tenha começado, ainda, a molestar-te com os achaques próprios de um cão sénior.
por cá, a vida tem corrido bem para toda a família e os dias têm estado longe de ser monótonos. visitas que vêm de longe e me retribuem mimos e carinho, levam-me no coração e prometem voltar para me ver.
quero falar-te de uma amiga muito especial. chama-se Pepa e é uma porquinha vietnamita. pertence aos nossos vizinhos mas gosta de passar o dia comigo, no meu quintal. apanhamos sol, passeamos, fazemos companhia um ao outro enquanto os nossos humanos andam ocupados com as suas tarefas.
junto umas fotos para tu apreciares e despeço-me, esperando notícias tuas.
Gorax"





"caro Gorax,
folgo em saber que estás de boa saúde. eu cá vou andando, a aturar a gataria e a tomar conta de casa e da minha Humana. finda a maldita época balnear, regressam os passeios na praia, pela manhã, seguidos de um café no bar do costume, onde ganho, sempre, algum petisco.
mostrei à canzoada as fotos que enviaste. é unânime a opinião sobre a tua amiga: a Pepiña é uma simpatia! houve logo os que ficaram curiosos acerca de certos pormenores anatómicos e até falaram em convidá-la para umas férias. disse-lhes que era muito improvável que os donos a deixassem fazer a viagem sozinha, mas talvez houvesse uma hipótese de ela vir, se tu lhe fizesses companhia. aproveita, vem até cá que eu estou sempre pronto para umas boas passeatas. 
Lost"


março 04, 2015

dezembro 28, 2014

BOAS FESTAS

imagem de iodo-artesanato e coisas únicas

aqui ficam os nossos votos de Boas Festas,  a imagem foi roubada a este blog. visitem-no e fiquem a conhecer interessantes peças artesanais, inspiradas em tradições minhotas. nós encomendámos sardinhas e cabeçudos. já cá chegaram e no jardim pode sentir-se, agora, o cheiro bom do iodo.

dezembro 07, 2014

ausências

eu, a restante gataria aqui do jardim e o rafeiro Lost andámos verdadeiramente apoquentados. a Humana resolveu ausentar-se (por um século, diz o Artur em tom dramático) e deixar-nos entregues aos cuidados de outra pessoa. o Lost não escondia a sua tristeza, eu e a Brunildinha  recusámo-nos a entrar em casa; dormíamos debaixo do automóvel da Humana que, mudo e quieto à porta de casa, também parecia sentir a sua falta. foi a Brunilde quem sugeriu que fizéssemos uma greve de fome, a qual acabou por durar apenas um dia e uma noite.  nós a fazermos o sacrífício de não tocar na ração, quando nos apercebemos de que ela (a Brunilde) se escapuliu de madrugada para ir alimentar-se de ratos do campo!  assim, demos por concluída essa forma de protesto quando, de manhã, um delicioso paté nos piscou o olho, no prato habitual.
finalmente, um belo dia, eis que a Humana regressa a casa,  declarando ter sentido imeeeensas saudades da sua bicharada. foi um momento muito feliz para todos nós. regressámos à normalidade do nosso quotidiano, apenas pautado, agora, por pequeninos sobressaltos: um pássaro que se nos escapa e se põe a zombar de nós no ramo mais alto de uma árvore, a chegada do novo vizinho Patolas, um simpático barbudo com sete anos, a descoberta de um ninho de ratos que muito entusiasmou o aventureiro Llugh...
dezembro tem-nos brindado com dias límpidos e frios; o Lost ocupa o seu lugar na fila zero, em frente à lareira acesa; eu, a Brunilde e a Brida dormitamos no sofá. lá fora, o Artur e o Lancelote ouvem atentamente, no conforto da sua vivendazinha ornamentada por almofadas e cobertores polares, as novidades que o Llugh, recém chegado de uma das suas digressões pelo campo, lhes relata.

Agora, um pouco à maneira da Humana, aqui vos deixo alguns apontamentos:
idun - sempre pronta para uma boa soneca
llugh no "tronco da meditação" que é, também, um bom aparador de unhas
amanhecer





setembro 11, 2014

belas passeatas

a princípio, o Lost não ligava nenhuma ao cãozito Putchi. até que este, velhote sabidão, lhe ladrou:
ó chefe, vê lá se não andas tão depressa. com as minhas patas curtas, nem a correr te consigo acompanhar...
o nosso rafeiro quase rebentou de orgulho.  habituado a obedecer aos nossos caprichos e às ordens da Humana, viu-se, de repente, promovido a líder!
está bem, felpudo, podes seguir-me. e escusas de estar sempre a  ver se a Humana vem atrás de nós. a partir de agora, eu responsabilizo-me por ti.
espera aí, ó pata-curta! tenho de farejar estas ervas e fazer uns reconhecimentos.

a dona do Putchi regressou a casa, no início da passada semana. o Lost já sugeriu à Humana convidarem-no, de vez em quando, para um passeio ou uma ida ao café.
não é que eu tenha saudades dele, Humana. só quero que continue a saber quem é que manda, para o caso de termos de tomar conta dele, outra vez.

agosto 27, 2014

o empecilho

a gataria cá do jardim está em grande forma, apesar do calor. temos recebido visitas, gente  pouco dada a gritarias e confusão, coisas que não apreciamos. a Humana vai repondo, a ritmo de caracol, as imagens que desapareceram aqui do blog.
o Lost anda um bocado amofinado, por ter de suportar, de há uns dias para cá, a companhia do cãozito Putchi, cuja dona foi viajar, deixando-o entregue - a ele e à gata Minie - aos cuidados da Humana.
conta-nos o nosso rafeiro que o Putchi é um grande manhoso: na hora de ir passear, é vê-lo a sair, a toda a velocidade, do prédio onde mora; na hora de voltar para casa, o caso muda de figura.
"olha lá, ó Putchi, não consegues andar mais depressa? ", pergunta o Lost.
"tenham lá paciência, é a velhice a atacar-me as patas..."

por isso, volta e meia, ouvimos o Lost desabafar: " será que nunca mais chega o dia de me ver livre deste empecilho?"




agosto 07, 2014

Lisboa, à luz da manhã

acordar cedo e deambular pela cidade, quando as ruas estão quase desertas e uma luz de oiro a acaricia suavemente. 


junho 18, 2014

irresistível

o calor resolveu dar-nos folga, a mim e à bicharada. nestes últimos dias, os gatos já não precisam de procurar um pouco de frescura na terra húmida. deitam-se, agora, nos respectivos cestos ou nos seus recantos favoritos, passeiam pelos telhados, brincam e vigiam, do alto dos muros, a estrada e os campos.
apesar de gostar de dar um pequeno passeio diário no jardim, a brida continua a preferir estar dentro de casa. deitada no seu cesto, observa, tranquila, o arvoredo, as ervas  que ondulam ao vento, já queimadas pelo sol. 


o dia nasce com o canto dos pássaros que moram nas árvores em frente à casa.
logo que o  café que habitualmente frequentamos abre as suas portas, lá estamos, eu e o Lost, para um pequeno-almoço sem pressas. 
enquanto leio o jornal, o Lost vai cativando os restantes frequentadores da esplanada. de todos ganha qualquer coisa: um pedacinho de pão com manteiga ou fiambre, parte de uma torrada ou de um bolo seco.
não vale a pena insistir com as pessoas para que o ignorem ou não lhe dêem nada. tenho de compreender que é realmente difícil não oferecer um pequeno mimo a um bicho tão expressivo, com um olhar tão terno e alegre como o dele. não concordam comigo?



maio 20, 2014

noutro jardim

Príncipe Real, Lisboa: chás embrulhados em sorrisos. "Frutos da alegria". Sou cliente.

abril 11, 2014

fevereiro 13, 2014

Llugh e Lancelote


Humana à vistaaaaaaa!!!!!



Ena, acho que foi à caça! Não estás a ver uma lata de paté no saco?


Então, Humana? Vê lá se te despachas! 


Olha, eu a fazer pose. Até o céu fica mais azul eheh.

dezembro 19, 2013

férias de Natal

desde a passada segunda-feira que, para mim, são férias de Natal. sabe-me bem este tempo a andar devagarinho, enquanto me entrego a pequenas inutilidades. a bicharada aprecia que eu seja a sua humana-de-companhia. 
aqui no jardim, simples e harmonioso, o nosso pequeno mundo.

da janela, saudamos as árvores

artur: viagem por terras longínquas

sabores: mel, canela, café

llugh: o repouso do guerreiro
 
idun: a dança, ton-sur-ton

brida: tantas vidas, lá fora!

brunilde: a beleza obscura



outubro 22, 2013

amores

há dias, o lost resolveu dar uma espreitadela nas fotos que estão armazenadas no telemóvel da Humana. ficou muito triste, porque ficou a saber que a Humana tinha ido à festa "Amor Rafeiro" e não o tinha levado com ela.  logo ele, que gosta tanto de fazer novas amizades!  

foi para a cama dele e fingiu dormir, quando ela entrou na sala.
a brunilde, que é uma boca larga, foi a correr contar-lhe que o lost estava muito aborrecido com ela e explicou-lhe o motivo.
a Humana, que o conhece bem, deixou-o todo derretido, quando disse à brunilde, em voz alta, para ele a ouvir:
tenho um cãozinho rafeiro que é, mesmo, um amor...




agosto 26, 2013

uma pilha de nervos

hoje de manhã, ao tentar aderir ao google+, para poder publicar um comentário, enganei-me no ano do meu nascimento e, logo de seguida, o meu email foi desactivado, por acharem que eu sou menor de idade. o problema é que, ao desactivarem o meu email, todas as minhas postagens neste blogue passaram a ser atribuídas a um(a) tal Unknown e - o pior de tudo - as imagens que nelas constavam foram  removidas, bem como o cabeçalho do blog, a minha foto, na barra lateral...
ainda por cima, a Humana diz que o caso não é grave!
Humana: deixa lá, idun, nós vamos repondo as fotos, pouco a pouco...e, quanto ao email e à possibilidade de continuares a postar no "pequeno jardim", bem como à de os leitores ficarem a saber que a Unknown és tu, resolvemos já isso.
Idun: não é só continuar a postar, quero ser Administradora.
Humana: claro, o blog é teu. mas se não me tivesses deixado administrá-lo, juntamente contigo, não sei como poderíamos, agora, descalçar esta bota.
fiquei a pensar que a Humana andava mesmo a precisar de descanso. é que eu, estranhando que ela usasse botas com este calor, constatei que, efectivamente, estava a usar umas havaianas, muito mais adequadas a esta estação.
pergunto-me: será que a Humana está num processo de demência galopante? não me posso esquecer de trocar impressões com a brunildinha, acerca deste assunto.

apesar da opinião da Humana, acho que vou encontrar-me com o administrador do google. o problema é que eu não sei quem ele é, nem sei onde mora ou onde trabalha, por isso não posso meter patas a caminho e aparecer-lhe de surpresa: olá, meu caro, sei que não me conhece de parte nenhuma mas chegou a altura de "reactivarmos contas". 
a Humana fecha-se em copas, o rafeiro lost é um ignorante e tão caninamente afeiçoado à dona que logo me iria denunciar, caso suspeitasse dos meus planos.
assim sendo, fui falar com os outros habitantes do jardim. havia elementos que andavam nos seus habituais giros pelo campo, de modo que só pude contar com os presentes. expliquei-lhes o que se passava e disse-lhes que até podíamos correr o risco de ficar sem o nosso querido blog. o vadio pascácio ia a passar na rua, por isso resolvi chamá-lo e pedir a colaboração dele, disposta a lembrá-lo, caso ele se recusasse, de que colaboro com uma parte da minha comida para lhe encher a barriga. 


idun: viva, pascacito! como vai isso?
pascácio: "tá-se bem", idun. e tu?
idun: olha, eu queria perguntar-te uma coisa. tive um problemazinho com o administrador do google e gostava de me encontrar com ele. só que nenhum de nós sabe onde é que ele mora. julgo que não deve ser em Portugal. tu, que dizes conhecer meio mundo, por acaso sabes onde é que ele vive?
pascácio: bem... onde vive, exactamente, eu não sei. mas ele está a passar férias por estas bandas, passa às vezes por esta rua e até já me foi apresentado, não me lembro por quem; sempre que me vê, vem cumprimentar-me: hello, pasquêizio, do you remember me? i'm the administrator of google.
idun: bem, nesse caso, fazemos-lhe uma espera. queres alinhar?
pascácio: idun, se não levarem a mal, eu prefiro não denegrir completamente a minha imagem. mas ando por perto, caso vocês precisem, realmente, de ajuda.

falei com a gataria e cada um se foi pôr no seu posto de observação.

idun: eu fico nesta janela!





brida: eu fico aqui no banco, mesmo em frente ao portão.




brunilde: eu também fico aqui, atenta. se o apanho a jeito...




artur e lancelote: a brigada de justiceiros já está a postos.




llugh: estarei a sonhar, ou eles estão a tramar alguma? só espero que não me descubram aqui, também tenho direito a uma "siesta", de vez em quando.



julho 28, 2013

apontamentos

continua a sobrar-me muito pouco tempo para a blogosfera. mas agora que os afazeres começam a abrandar um pouco, espero poder retribuir devidamente as vossas visitas e comentários.
hoje, limito-me a partilhar convosco alguns apontamentos do meu quotidiano. até breve!

a gata e o pequeno loureiro
gritos de cor a encher de vida a parede branca
a lavanda

fazia lembrar uma máscara africana

banho de sol em Lemon Beach

a penumbra, o gato, a janela , as árvores 

julho 06, 2013

Em boas mãos

um destes dias, quando escovava o pêlo à brunilde, descobri que ela tinha um alto enorme na barriga, junto a uma das patas traseiras. telefonei para o Centro Médico Veterinário dos Olivais; a dra. Catarina Antunes, com a serenidade que lhe é habitual, conseguiu minimizar a minha angústia, apontando probabilidades várias, além daquela que logo me ocorreu: um tumor maligno.
foi, no entanto, com o coração nas mãos que lá levei a brunilde para observação. respirei de alívio quando, depois de a observarem cuidadosamente, quer a referida veterinária, quer o dr. Marco Raimundo, director clínico do Centro, me tranquilizaram, dizendo que, à partida, embora não me pudessem dar garantias a 100%, nada apontava para algo de grave.  marcámos a cirurgia para uns dias depois.


tudo correu da melhor maneira; a brunilde foi operada e acordou da anestesia, entregue aos afagos da sua amiga veterinária; regressou a casa, recuperou rapidamente e já foi tirar o penso.

cada visita ao CMVO é uma oportunidade para conhecer pessoas que dedicam afecto aos seus animais; há sempre uma  conversa que surge, espontânea, muitas histórias a trocar. é um verdadeiro prazer, também, conversar com estes veterinários que nos esclarecem sobre questões pertinentes relacionadas com a bicharada, de uma forma descontraída e segura, como seria de esperar, vinda de dois profissionais que acolhem com simpatia os nossos temores e esperanças. a cada nova experiência, ficamos com uma reconfortante certeza: a de que os animais que lá levamos não poderiam ficar entregues em melhores mãos.

junho 07, 2013

o pascácio

é um gato de rua. preto e branco, já de certa idade, colecciona feridas e arranhões, em brigas violentas com outros machos.
um dia, estávamos nós no recato do nosso jardim quando o vimos, boquiaberto, a espreitar-nos, lá de cima do muro.
-estás a olhar para onde, ó pascácio? - perguntou o lost, pronto a defender-nos.
os dias foram passando e as visitas do pascácio tornaram-se habituais. entretanto, a Humana foi tirando informações: o gato era de uma senhora que o tinha abandonado, já há uns anos, mas havia várias pessoas que lhe davam comida.
agora, a nossa ração (e o paté também, infelizmente) tem de dar, sempre, para mais uma boca. logo de manhãzinha, o pascácio vê as horas: ena! tenho de apressar-me.  por esta altura, já a Humana está a servir refeição à gataria.
em menos de um fósforo lá está ele do lado de fora do portão, paciente, à espera. e até ronrona quando, para além da comida, a Humana lhe propicia uns mimos extra: escovadelas, festinhas, coisas às  quais ele já há muito se tinha desabituado.
depois, somos nós que ficamos a vê-lo a descer a rua, lentamente, iniciando a peregrinação pelos locais onde sabe que irá encontrar refeições variadas.

pascácio- eh, gataria! 'bora dar um giro aqui pelo bairro?
o artur ainda se aventurou a acompanhá-lo mas desistiu do passeio, mal passou um automóvel.
pascácio - cambada de peluches! deviam era ir correr mundo, tal como eu, para ficarem a saber o que é a vida....

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               

maio 12, 2013

lost: como fazer um buraco na areia

lost - então, Humana, quando é que publicas aquilo que me prometeste?
Humana - é verdade, Lost; não é que me tenha esquecido mas  os dias vão passando...
lost - sim, já lá vão mais de QUATRO meses.
Humana - olha, não é tarde nem é cedo: mãos à obra!





Arquivo de jardinagem