maio 23, 2009

histórias de praia - encontros, laços e nós


hoje, contrariamente às previsões do boletim meteorológico, esteve um lindo dia de sol. por isso, logo de manhã, a Humana, que tinha planeado passar o sábado em casa, foi passear na praia, e regressou carregada de pequenos tesouros: lindas pedras e bocadinhos de madeira apanhados à beira-mar, uma corda cheia de nós, a fazer de colar e, ainda, umas belas cores no rosto e um sorriso nos olhos.

disse-nos, depois, ter sido nessa mesma praia que ela conheceu, há quatro anos, o nosso rafeirinho lost.
e eu lembrei-me de ir reler um texto que a Humana lhe dedicou, nessa altura:

foste esquecido numa praia. alguém que, ocasionalmente, te foi dando restos de comida, disse-me que passavas os dias a percorrer, angustiado, o vasto areal.
a nossa história começa assim: vieste até mim, de mansinho deitaste a cabeça no meu colo. eras cansaço e tristeza, tristeza mais que humana.
dei-te um nome: lost.
estrada perdida. lost road.
gostava tanto de saber explicar-te que nunca existiu caminho para o coração dos que te abandonaram.


nota: o post abaixo, da Humana, complementa este.

histórias de praia - encontros, laços e nós

maio 17, 2009

hoje sonhei com gatinhos

queridos amigos:

estas duas semanas que passaram quase nem me deram para respirar. a Humana continua cheia de trabalho. às vezes, chega muito, muito tarde e cansada; e, sem a ajuda dela, lá tenho de organizar e controlar a vida doméstica, contando com a ajuda preciosa do lost, o nosso cãozinho rafeiro.

os bebés da dominó completaram, no passado dia 15, um mês de idade. deixaram de ser aqueles pequerruchos dorminhões: já todos sabem sair do cesto e começam, agora, a explorar a casa (só as divisões a que a Humana lhes dá acesso, é claro!).

hoje, domingo, a Humana decidiu levá-los lá para fora e deixá-los apanhar uns banhos de sol, num local devidamente protegido do vento. assim, também foi mais fácil fotografá-los. mais fácil, é mesmo uma forma de dizer, pois os diabinhos, quando não estão a comer ou a dormir, têm cá uma genica!
maninhos, vamos praticar um pouco de exercício, dentro deste cesto!....

reparem no napoleão. a futura protectora dele vem buscá-lo, no dia 5 de junho. talvez por saber disso, ele tornou-se o mais despachado da ninhada. já há quase uma semana que "ataca" a comida seca, própria para bebés, o que não impede que logo a seguir, vá completar a refeição com uma boa quantidade de leite materno.

"leitinho e bolachinhas fazem bem a estas pancinhas", diz, com o seu habitual sentido de humor, o meu filhote artur, que acolheu estes pequerruchos e toma conta deles com grande desvelo; anteontem, passou o tempo a ir buscá-los e a levá-los para dentro do cesto. eu, confesso, ando tão ocupada que me limito a ir lambê-los, de vez em quando. só houve um dia em que me deitei um bocadinho ao pé deles.

já a minha irmã brunildinha, cada vez que passa pelo cesto não deixa de mostrar o seu desagrado, quer à mãe, quer aos bebés, fazendo fsssssssss fsssssssss e pondo-se logo a milhas... para além de exigir que a Humana lhe disponibilize um tempo extra de penteadelas. deve andar com ciúmes, é o que eu acho...
este é o mais sossegadinho da ninhada. a Humana adora pegar nele, fazer-lhe festinhas no narizito, falar-lhe baixinho, e ver como ele cai, de repente, num sono pesado...

este é o silvestre, que também vai ficar com uma amiga da Humana. ela não fez questão em escolher nenhum mas a Humana quer entregar, primeiro, os que se tornarem mais desenvolvidos e independentes.

mano, também quero espreitar o que se passa lá em baixo!
ó silvestre, tira a patinha de cima de mim, que assim não consigo sair do cesto....

vês? por tua causa, não consegui sair. vais levar uma trincadela, que é para aprenderes!

maio 03, 2009

dia da mãe

aconteceu na noite fria e chuvosa do passado dia 15 de abril.
estávamos, na sala, com a Humana, a apreciar mais uns dos nossos muitos momentos tranquilos. a Humana, sentada no sofá, nós nos nossos cestos, o lost no seu almofadão especial, deitado aos pés da dona.
nisto, uns gemidos de aflição. num arrepio, a Humana ainda tentou enganar-se: deve ser o vento. vou lá fora ver, no entanto, se alguma coisa se passa.

uma pequena casota para cão, em cimento, foi cá deixada pelo anterior habitante da casa e a Humana não se desfez dela. aproveita-a, por vezes, para arrumar o seu cesto e pequenos equipamentos de jardinagem.
quando veio cá fora, nessa noite, a Humana percebeu que os gemidos vinham daí, dessa casota. munida de guarda-chuva e lanterna, o que foi ela encontrar? uma gata, a dar início ao seu trabalho de parto.
fomos obrigados a sair da sala, excepto o meu filhote artur, que teimou em ficar no sofá, sossegadinho, a assistir a tudo. entretanto, a Humana já tinha posto a bichana num cesto, forrado com uma mantinha em malha polar, e ligado o aquecimento. quando o trabalho de parto acabou, ela deixou a mãe-gata ficar a descansar, com os seus cinco bebés, e deixou junto dela um caixote com areia, alguma comida seca e água.
no dia seguinte, foi preciso transferir o cesto e seu conteúdo, bem como recipientes com água e comida para uma outra divisão da casa, onde mãe e filhos pudessem ficar sossegados.
agora, reparem no que vos conto: a gatinha, de bela pelagem lustrosa, preta e branca, à qual demos o nome de dominó, permitiu que a Humana mudasse o cobertor e a almofada do cesto, tendo, para isso, que pegar nos bebés (coisa que ela fez, com as mãos calçadas com luvas de lã) e, além disso, bebeu um pires de kefir que a Humana segurava, pois ela não saía do cesto, para amamentar os pequerruchos. a partir desse dia, tem-se revelado uma gatinha confiante e perfeitamente adaptada aos hábitos de um lar. que conclusão podemos tirar daqui, amigos? que as pessoas com quem esta gata vivia a deitaram fora, quando ela estava para ter os seus filhotes.
lembrei-me, ao contar hoje esta história, com a permissão da minha Humana, é claro, que talvez hoje as pessoas que abandonaram a dominó estejam a celebrar o dia da mãe, a dar ou a receber presentes comprados ontem, à pressa, em qualquer shopping. e penso como seria bom eu saber quem eram e irromper pela festança adentro, eu, gata idun, brindando: tchim tchim, à vossa saúde podre, ao vosso coração de plástico e à vossa hipocrisia.

entretanto, à socapa, consegui fotografar os pequerruchos. o farçolinhas a dormir com a língua de fora tinha apenas 8 dias, quando foi apanhado naqueles preparos. é pretinho e branco, tal como a mãe.



as fotos foram tiradas enquanto a dominó foi comer. tive de ser muito rápida, pois ela não se importa que a humana mexa nos bebés mas detesta o ruído que a camara fotográfica faz e, se nos aproximamos demasiado, é só mostrar garras e "riscar fósforos" (gosto muito desta expressão que a sílvia, do blog gatofru usa, para traduzir o fsssssssfsssssss dos felinos zangados).
a Humana já decidiu que a dominó ficará connosco. em breve chegará a altura de tentar arranjar dono para quatro destes gatuchos (um deles já tem alguém à espera de poder ficar com ele). a Humana diz que só os entrega a partir dos dois meses de idade. se os amigos que nos visitam, aqui de portugal, souberem de alguém responsável que queira dar afecto e cuidados a algum destes bebés, agradeço que passem o meu email: idun-a-felina@sapo.pt.

Arquivo de jardinagem