abril 21, 2009

danças na floresta

dedicado á clarice, uma criança com quem conversei, há dias, e que pôs em dúvida que eu fosse uma fada, pelo facto de me vestir de negro e não ser transparente.

sabes, pequena clarice, também há fadas que se vestem de negro. os seus risos, porém, são cristalinos como o das crianças como tu, clarice, mas quando olham o mundo e nele sentem a dor dos inocentes, as frágeis vidas quebradas, choram amargas lágrimas, porque os poderes destas fadas limitam-se a lentos gestos que lançam uma espécie de música no ar, mas não podem mudar o mundo, não podem.
se tu quiseres, clarice, eu posso oferecer-te o meu braço como apoio e apontar-te mágicas paisagens longínquas. eu, a fada das sombras, guiarei com a minha voz os teus pés pequeninos por caminhos luminosos. mas um dia entenderás que, afinal, era do mais dentro de ti que esses caminhos partiam e a ti retornavam, depois, transformados em água fresca, verdes folhas, canto de pássaros.

imagem: shane willisNOTA: o post abaixo, da idun, complementa este.
olá, amigos, espero que, nestes dias em que estivemos ausentes da blogo-esfera, a vida vos tenha sido pródiga em amêndoas, ovos de chocolate e alegrias.
estive a ler o texto que a minha Humana publicou, acima, e, acerca de fadas, nem sei se vos diga, se vos conte... bem, parece que, por enquanto, estou proibida de vos contar seja lá o que for; portanto, vou apenas dizer: há novidades aqui no jardim. houve uma fada que nele depositou uma rica surpresa e eu só não vos digo o que é porque, quando me pedem para guardar um segredo, sou um autêntico túmulo.
nestas últimas semanas, enquanto a Humana andou ocupada, toda ela voltas e reviravoltas, obras e manobras, resolvi dedicar-me, vejam só!, a desenhar de memória o retrato de um dos meus apaixonados, o finguelinhas, que era romântico, magrinho e amarelo. eu achava-lhe cá uma graça!
vou pedir à Humana para o emoldurar e colocar na parede, mesmo em frente ao cesto onde costumo dormir as minhas sonecas. a ver se deste modo, já que me transformei, não sei por que carga de água, nesta gata calma e completamente desinteressada de danças nupciais, consigo, pelo menos em sonhos, voltar a ser a felina de chama erótica sempre acesa, na qual se consumiram os mais aventureiros gatarrões da vizinhança, país, planeta e arredores.

abril 04, 2009

interrupção de actividade blogo-esférica

por motivo de obras, encontros, devaneios...


... limpezas e (des)arrumações.
contamos regressar a 19 de abril. até já!
imagens: obras de su blackwell

Arquivo de jardinagem