novembro 20, 2007

cantilena




dorme, dorme, bebé
doces gatinhos alados velam o teu sono

tão leves
os teus sonhos
como bolas fugidias
de sabão

tão alegres
os teus sonhos
como novelos coloridos
de lã

dorme, dorme, bebé
quando acordares
cá estarei
para te mimar

dorme, dorme, bebé,
doces gatinhos alados velam o teu sono

novembro 18, 2007

novo relato

para que fiquem a conhecer os restantes habitantes deste jardim, terei de vos contar que eu, a mimosa e a brunilde já tivemos descendêndia.
esta é a mimosa, a dar de mamar aos seus quatro filhotes. para além deles, ajudou a criar um quinto gatinho que ficou sem mãe e que a Humana encontrou na rua. quando fizeram três meses, os filhotes da mimosa foram entregues a pessoas de confiança, que quiseram tomar conta deles. de vez em quando, a Humana recebe notícias deles e fica muito contente por saber que estão felizes e muito mimados.

o gatinho que a mimosa adoptou chama-se mimir; a Humana decidiu que ele ficaria connosco.

penso já ter dito que a minha irmã brunilde é uma gata muito arisca; quando teve os seus bebés, escondeu-os. apenas aparecia, muito apressada, à hora das refeições. só que os pequeninos contraíram coriza. quando percebeu que não conseguia tratar os seus filhotes, a brunilde veio pô-los, um a um, junto à janela que dava para o jardim. precisava de ajuda e sabia que a Humana lha daria. e assim foi: depois de várias idas ao veterinário e imensos cuidados, os gatinhos salvaram-se. só que um deles ficou cego, em consequência da doença.


dois deles foram entregues aos cuidados de um casal amigo da Humana e tiveram a oportunidade de continuar juntos. 
o gatinho cego ficou, também, a viver connosco. chama-se jasmim. brinca muito e dá grandes corridas pela casa e pelo quintal. ele, às vezes, diz-me que é feliz e que se sente muito protegido.vejam-no, aqui, a dormir, ao lado do mimir. o jasmim é o gatinho da direita.


finalmente, apresento os meus pequerruchos:

não são encantadores? desta vez, a Humana só arranjou quem tomasse conta de um deles. não porque várias pessoas não a tivessem contactado, para ficar com os restantes. mas, depois de as submeter a um inquérito, ela chegou à conclusão de que nenhuma lhe merecia confiança, nem lhe parecia ser capaz de assumir a responsabilidade de ficar com um animal. assim, dois dos gatuchos ficaram, também connosco. ainda não têm um nome mas, como são muito parecidos, inseparáveis e fazem muitos disparates, a
Humana, às vezes, chama-lhes: dupont & dupond.

novembro 11, 2007

exercício poético 2

o riso das crianças
no parque
soa como cristal na tarde
de outono

no muro do jardim
a trepadeira
estende languidamente
o seu abraço

o jovem gato rebola-se na terra
tenta  prender
nas suas patas
um finíssimo fio
de sol

novembro 07, 2007

ariana




terei de ser eu a apresentar a mais jovem jardineira deste blog:
a ariana é uma adolescente alegre, responsável e metódica que, apesar de muito apreciar as brincadeiras de palavras, prefere, desde criança, comunicar por imagem; daí ter deixado o texto a meu cargo. devo dizer que foi bastante difícil convencê-la a mostrar, neste jardim, alguns dos seus desenhos e pinturas. começarei por publicar o seu primeiro óleo que é, por razões óbvias, um dos meus preferidos. espero que também gostem.

novembro 05, 2007

carta de apresentação



prezados visitantes deste jardim,

chamo-mo OIN. digo “chamo-me” e não “chamam-me” porque fui eu que me nomeei. os meus Humanos perceberam quando lhes bati à janela e gritei, gritei: OIN! OIN! OIN!
um deles, o mais corpulento, rosnou: muito prazer! e deixaram-me entrar. calculo que esta onomatopeia não vos diga nada sobre o meu sexo. pois bem. sou menina. menina gata. passei por muitas aventuras e desventuras antes de chegar a esta casota que passou a ser minha também. não sou uma beleza de felina, mas sou atraente, com todas as minhas assimetrias. um dos olhos não se fecha completamente. divirto-me muito com isso, pois nunca sabem se estou realmente a dormir. o outro, pobrezinho, sofreu um acidente de que se curou graças aos cuidados da minha Humana. no entanto, ficou com uma manchinha, como se fosse uma lente de contacto fora do sítio próprio. acho que me dá um ar sensual.
o meu casaco é feito de pele tricolor, aliás bastante exuberante. fico tão zangada quando a engraçadinha da minha Humana diz que sou feita de restos! eu sei que é a brincar, mas há coisas que uma gata não gosta de ouvir. desculpo-a, mas não deixo de correr para a caixa de cartão e de lhe afinfar umas fortes arranhadelas. alivia-me o stress. às vezes, a Humana diz: tens cá um mau feitio! faço de conta que não entendo.
para apresentação já chega. deixo outros pormenores à vossa imaginação. um dia destes voltarei aqui e darei notícias do meu mundo.

festinhas para todos da


OIN correia da silva

novembro 03, 2007

gatos e humanos



idun, não sei como começar. sei que caminhamos juntas em direcção a um ponto sem saída, onde nos iremos dissolver, juntamente com o expoente do mais nobre pensamento humano e seremos, então, como as pedrinhas com que tu brincas. essa irmandade que sinto, permite-me falar contigo de água, das formigas, de penas... e dessas coisas vulgares de que somos feitos desde pequeninos.
levanto uma pontinha da cortina: monologar com o negro, mesmo que ninguém nos ouça, pacifica. olhando agora para esta imagem, penso: não percebo porque é que um gato preto há-de dar azar! quando ele abre os olhos, ilumina-me o caminho. depois, só preciso do melro para me apontar a direcção com o bico...
texto e imagem da autoria de Itreza

novembro 02, 2007

exercício poético 1

nas mãos do vento
a dourada folha do plátano
rodopia feliz

ágil
o salto do felino
interrompe bruscamente
a sua alegre dança

um pequeno jardim, na cidade



nasci num pequeno jardim, para o qual davam as janelas da sala do rés-do-chão de um apartamento. a pessoa que habitava a casa tinha um gato ruivo, já muito idoso, que era muito mimado. os meus pais, que eram gatos de rua, também eram alimentados pela habitante da casa. iam, inclusive, comer as suas refeições em recipientes metálicos que eram postos no peitoril de uma das janelas. a habitante da casa abria a janela e dizia-lhes: riscas, ísis, venham comer!
riscas e ísis, assim se chamavam. começarei por contar a história deles.

os meus pais

o riscas era um gato tigrado; magricela e assustadiço, quando começou a aparecer naquele jardim. a habitante da casa foi-lhe dando comida e, pouco a pouco, tornou-se um belo gatarrão.

um dia, trouxe para o jardim uma companheira. era uma gata lindíssima, ainda mais arisca do que ele. a habitante da casa, que ficava durante muito tempo a olhá-la, chamou-lhe ísis.

com alimentação garantida e relativamente protegidos dos perigos que normalmente enfrentam os gatos de rua, rapidamente decidiram constituir família. e o pequeno jardim em breve passou a ter, não dois, mas cinco habitantes. numa noite de março, o riscas e a ísis foram pais de três gatinhas.
"irmãos, são como dedos das mãos", dizem os humanos. este ditado assenta como uma luva, se aplicado aos três rebentos deste interessante casal, ou seja, a mim e às minhas irmãs.


mimosa


o nome diz muito sobre a sua personalidade. a mimosa é uma gata muito meiga, sempre a pedir festas e atenções. das três, é a única que mia muito, com uma voz melodiosa e fininha.


brunilde


a brunilde é a mais arisca das três. no entanto, agora que temos autorização para viver com a habitante da casa, ela é a única que a segue para todo o lado. mas não permite que ninguém lhe toque, muito menos que lhe peguem ao colo.

idun

esta sou eu. das três, a mais parecida com a nossa mãe. só que não sou nada arisca, antes pelo contrário: adoro mimos e penteadelas, bem como posar para fotografia. e o conforto de uma manta polar é algo que aprecio verdadeiramente, nos dias frios.

em dezembro do ano passado, abandonámos o jardim da cidade e viemos morar para uma casa onde podemos entrar, sempre que nos apeteça, e temos um jardim e um quintal só nossos. mas, é claro, passeamos pelos quintais dos vizinhos, que já nos conhecem. os nossos pais ficaram entregues aos cuidados de um casal que vivia num outro apartamento do mesmo prédio. connosco vieram mais dois da nossa espécie, meus sobrinhos. e o velho gato ruivo, claro. mas esse morreu pouco depois de cá nos termos instalado. e também veio um cão, que é nosso amigo e protector. falarei deles, num outro post.


nota: quando nos despedimos, a mãe fez-nos um aviso: estimem muito esta humana que vos leva com ela, pois a partir de agora, é vossa. assim, e porque me disse querer conservar o anonimato, passarei a referir-me a ela, nestes termos: a nossa Humana. pois.

Arquivo de jardinagem